Francisco evoca crise no Canal da Mancha, Bielorrússia e Mediterrâneo

Foto: Lusa/EPA

Cidade do Vaticano, 28 nov 2021 (Ecclesia) – O Papa condenou hoje no Vaticano as mortes de migrantes às portas da Europa, evocando as crises no Canal da Mancha, Bielorrússia e Mediterrâneo para pedir o fim de qualquer “instrumentalização” desta situação.

“Renovo o meu forte apelo aos que podem contribuir na solução destes problemas, em particular às autoridades civis e militares, a fim de que a compreensão e o diálogo prevaleçam, finalmente, sobre qualquer tipo de instrumentalização, orientando vontades e esforços para soluções que respeitem a humanidade destas pessoas”, referiu, desde a janela do apartamento pontifício.

Francisco falava após a recitação da oração do ângelus, perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro, numa cerimónia com transmissão online.

“Quantos migrantes, pensemos nisto, quantos migrantes estão expostos, também nestes dias, a perigos gravíssimos. Quantos perdem a vida nas nossas fronteiras”, lamentou.

O Papa manifestou a sua “dor” perante as notícias sobre a situação em que se encontram muitos migrantes, recordando “os que morreram no Canal da Mancha, na fronteira da Bielorrússia – muitos dos quais são crianças – os que se afogam no Mediterrâneo”.

“Tanta dor, pensando neles”, acrescentou.

Um naufrágio ocorrido na última quarta-feira causou a morte a 27 migrantes, o mais mortal desde o aumento, em 2018, das travessias irregulares migratórias do Canal da Mancha, que liga França ao Reino Unido.

Já na fronteira da Bielorrússia com a Polónia, dezenas de migrantes perderam a vida numa crise com contornos políticos, face às sanções impostas pela União Europeia, que não reconhece a reeleição do presidente Alexander Lukashenko.

Francisco recordou ainda a situação no norte de África, com migrantes “capturados pelos traficantes, que os fazem escravos”.

“Vendem as mulheres, torturam os homens”, advertiu.

A intervenção evocou “os que, também nesta semana, tentaram atravessar o Mediterrâneo, procurando uma terra de bem-estar e encontrando, pelo contrário, um túmulo”.

Pelo menos 75 migrantes morreram junto à costa da Líbia, na sequência do naufrágio do barco em que tentavam atravessar o Mediterrâneo para chegar à Europa, informou a Organização Internacional de Migração (OIM), no último dia 20.

“Aos migrantes que se encontram nestas situações de crise, asseguro a minha oração, também o meu coração: sabei que estou próximo de vós. Rezar e fazer. Agradeço a todas as instituições, católicas e outras, especialmente as Cáritas nacionais e todos os que estão empenhados para aliviar estes sofrimentos”, assinalou o Papa.

Francisco convidou os presentes a pensar nos “sofrimentos” destes migrantes e a rezar em silêncio, por eles.

O Papa revelou que se encontrou, este sábado, com membros de associações e grupos de migrantes e de pessoas que, “em espírito de fraternidade, partilham a sua caminhada”, presentes na Praça de São Pedro com uma bandeira alusiva.

“Bem-vindos”, disse.

OC

Partilhar:
Share