Francisco recebe Secretariado de Justiça Social e Ecologia dos Jesuítas, apelando a ação em favor dos mais desfavorecidos

Cidade do Vaticano, 07 nov 2019 (Ecclesia) – O Papa alertou hoje no Vaticano para os “crucificados” do mundo globalizado, onde “abundam situações de injustiça e dor humana” que exigem resposta da Igreja Católica.

“O nosso mundo precisa de transformações que protejam a vida ameaçada e defendam os mais fracos”, disse, numa audiência aos participantes no encontro do Secretariado de Justiça Social e Ecologia dos Jesuítas, que assinala os 50 anos de fundação.

Francisco apelou a uma ação concertada “em defesa dos mais desfavorecidos, neste mundo cada vez mais globalizado”.

“O tráfico de seres humanos subsiste, as expressões de xenofobia são abundantes e a busca egoísta do interesse nacional, a desigualdade entre países e dentro deles cresce sem encontrar um remédio”, advertiu.

O Papa admitiu a dificuldade de quem trabalha “nas fronteiras da exclusão”, convidando a seguir o exemplo dos mais pobres, que “não se deixam vencer pela tentação de desistir”.

Citando o discurso que proferiu no encontro com movimentos populares na Bolívia, em julho de 2015, Francisco sustentou que quando os pobres se organizam, tornam-se verdadeiros “poetas sociais”, capazes de criar empregos, de construir habitações ou de assegurar a própria alimentação.

O apostolado social não serve para resolver problemas, mas para promover processos e incentivar a esperança. Processos que ajudem as pessoas e as comunidades a crescer, que as levem a conhecer os seus direitos, a desenvolver as suas capacidades e a criar o seu próprio futuro”.

O Papa desafiou os jesuítas a abrir um novo futuro, para que se “criem possibilidades, gerem alternativas, ajudem a pensar e agir de uma maneira diferente”, fazendo dos pobres “um local privilegiado de encontro com Cristo”.

“O nosso mundo partido e dividido precisa de construir pontes para que o encontro humano permita que cada um de nós descubra nos últimos o belo rosto do irmão, no qual nos reconhecemos, e cuja presença, mesmo sem palavras, exige na sua necessidade o nosso cuidado e solidariedade”, observou.

A intervenção apresentou preocupações ecológicas, a partir da encíclica ‘Laudato Si’, e defendeu uma “revolução cultural”, antes de elogiar o trabalho desenvolvido pela Companhia de Jesus em “obras de serviço aos mais pobres, educação, atenção aos refugiados, defesa dos direitos humanos ou serviços sociais em muitos campos”.

“Na dor de nossos irmãos e da nossa casa comum ameaçada, é necessário contemplar o mistério do crucificado para poder dar a vida até ao fim”, concluiu Francisco, ao evocar “a vida e a morte dos mártires” jesuítas.

As celebrações do Cinquentenário do ‘Social Justice and Ecology Secretariat’ começaram esta segunda-feira, em Roma, com o discurso responsável mundial da companhia de Jesus, padre Arturo Sosa; a Fundação Gonçalo da Silveira, de Portugal, marca presença no encontro, representada pela sua diretora-executiva, Teresa Paiva Couceiro.

OC

Partilhar:
Share