Leão XIV evoca novo mártir do Brasil e vítimas do sismo nas Filipinas

Cidade do Vaticano, 14 jun 2026 (Ecclesia) – O Papa alertou hoje para o impacto das conflitos humanos e do consumismo na humanidade contemporânea, pedindo que os católicos levem uma mensagem de esperança às vítimas desta “opressão”.
“O Filho de Deus olha para as pessoas, olha para a humanidade: vê a opressão que subjuga e a violência que tira as forças. Vê as feridas das guerras e o vazio do consumismo”, disse Leão XIV, antes da recitação do ângelus, desde janela do Palácio Apostólico, perante milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro.
A intervenção dominical partiu da reflexão sobre a passagem do Evangelho de São Mateus que descreve a multidão como “ovelhas sem pastor” e relata o envio dos primeiros doze apóstolos.
“Jesus vê rostos reduzidos a máscaras, famílias destruídas pelo mal e jovens iludidos por falsos ideais. Ele vê e ama, ama e sofre por nós e connosco. A sua compaixão expressa não apenas proximidade fraterna, mas também a vontade de redenção”, apontou o pontífice.
Leão XIV convidou os católicos a imitar a missão dos primeiros “discípulos feitos apóstolos”, ao encontro dos outros.
“Qual é o trabalho que devem realizar? Oferecer o conforto de Deus a quem sofre: levar caridade onde há miséria, esperança onde há aflição, fé onde há desconfiança”, precisou.
A intervenção falou da mensagem de Jesus como “sempre jovem, fresca e libertadora”.
“Quando este Evangelho é anunciado e praticado, o mal desmorona como uma doença que termina”, referiu o Papa.
Após a oração, Leão XIV quis recordar os novos beatos da Igreja Católica, todos eles mártires, como o missionário italiano Nazareno Lanciotti, assassinado no Brasil em 2001 “porque defendia os mais pobres, em nome do Evangelho”, dois sacerdotes checos perseguidos pelo regime comunista na antiga Checoslováquia, e nove religiosos salesianos mortos durante a II Guerra Mundial, na Polónia, pelo regime nazi.
“Todos foram beatificados como mártires por terem sido vítimas de perseguição por parte de regimes totalitários, devido à sua fidelidade a Cristo”, observou.
O Papa deixou votos de que “o exemplo e a intercessão destas testemunhas corajosas sustentam a missão dos sacerdotes e de toda a Igreja”.
Dois dias após ter concluído uma viagem de uma semana à Espanha, Leão XIV quis agradecer a Deus pela forma como decorreu a visita.
“Agradeço ao povo espanhol que me acolheu com grande entusiasmo e devoção. Estou especialmente grato a sua majestade o rei”, acrescentou o pontífice, que regressou a Roma, na sexta-feira, num avião cedido por Felipe VI, após dificuldades técnicas na aeronave comercial que deveria ter transportado a comitiva papal, desde Tenerife.
A intervenção evocou ainda as vítimas do sismo de magnitude 7,8, que ocorreu na segunda-feira ao largo da costa de Mindanau, Filipinas, manifestando “proximidade” à população.
“Rezo pelos falecidos e pelas suas famílias, pelos feridos e por todos os que sofrem em consequência desta tragédia”, disse Leão XIV.
OC
