Francisco convida a reagir com «todos os meios cristãos para que as armas deem lugar às negociações»

Foto Vatican News

Cidade do Vaticano, 23 jun 2022 (Ecclesia) – O Papa afirmou hoje que na Ucrânia foi desencadeada uma violência que “destrói a vida, uma violência luciferina, diabólica”, num encontro com os participantes da Assembleia Plenária da Reunião das Obras para a Ajuda às Igrejas Orientais (ROACO).

“Por favor, continue a manter diante dos seus olhos o ícone do Bom Samaritano: Vocês o fizeram e eu sei que continuarão a fazê-lo também pelo drama causado pelo conflito de Tigray, que feriu novamente a Etiópia e parte da Eritreia, e sobretudo à amada e martirizada Ucrânia”, disse Francisco no seu discurso.

No encontro com os participantes da Assembleia Plenária da ROACO, o Papa afirmou que na Ucrânia volta-se “ao drama de Caim e Abel”, um episódio do primeiro livro da Bíblia, o Génesis, em que Caim mata o seu irmão Abel.

“Foi desencadeada uma violência que destrói a vida, uma violência luciferina, diabólica, à qual, nós crentes, somos chamados a reagir com o poder da oração, com a ajuda concreta da caridade, com todos os meios cristãos para que as armas deem lugar às negociações”, desenvolveu.

Francisco agradeceu aos participantes da Assembleia Plenária da Reunião das Obras para a Ajuda às Igrejas Orientais por ajudarem a “levar a carícia” da Igreja e do Papa para a Ucrânia e para os países onde os refugiados foram acolhidos.

O Papa destacou o desejo que se cumpra em breve a profecia de paz de Isaías – “Que um povo não mais levante a mão contra outro povo, que as espadas se tornem arados e as lanças foices (cf. Is 2,4)” – mas “tudo parece estar a ir na direção oposta”.

“Os alimentos diminuem e o aumenta o barulho das armas. Hoje é o padrão de Caim que rege a história. Portanto, não deixemos de rezar, jejuar, socorrer, trabalhar para que os caminhos da paz encontrem espaço na selva dos conflitos”, acrescentou.

Francisco lembrou também que em setembro vai ser comemorado o décimo aniversário da Exortação Apostólica ‘Ecclesia in Medio Oriente’, promulgada pelo Papa emérito Bento XVI, durante a viagem ao Líbano, e numa década “muitas coisas aconteceram”, destacando “os tristes acontecimentos” no Iraque e na Síria, e “as convulsões” na Líbano.

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O Papa destacou “algumas luzes de esperança”, como a assinatura do Documento sobre a Fraternidade Humana, com o grande imã de Al-Azhar, Ahmad Al-Tayyeb, em Abu Dhabi.

Neste contexto, disse à ROACO que é de esperar “sejam retomadas” as negociações para a coordenação sobre a Síria e o Iraque, iniciado há alguns anos, “e que o Líbano também seja incluído na reflexão conjunta”.

Francisco realçou que a intuição da Reunião das Obras para a Ajuda às Igrejas Orientais “corresponde ao caminho sinodal” que está a ser percorrido pela Igreja universal, realçando que o processo de apresentação de um projeto de ajuda “implica o envolvimento de vários setores e protagonistas”.

“Ao criar a sinfonia da caridade, continuem a buscar o acordo e fujam de qualquer tentação de isolamento e fechamento em si mesmos e nos seus próprios grupos, para permanecerem abertos para acolher os irmãos e irmãs aos quais o Espírito sugeriu iniciar experiências de proximidade e serviço às Igrejas Católicas Orientais”, desenvolveu o Papa, no discurso à ROACO.

CB/PR

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