Vaticano: Papa adverte contra sabedoria que se transforma em «arrogância» e aponta cruz como «escola de liberdade»

Leão XIV evocou novo beato vietnamita e vítimas das perseguições religiosas

Foto: Vatican Media

Cidade do Vaticano, 05 jul 2026 (Ecclesia) – O Papa alertou hoje no Vaticano para o risco de a sabedoria humana se transformar em sobranceria, afirmando que as pessoas cheias das suas próprias ideias se tornam incapazes de reconhecer a presença de Deus.

“Os sábios e os doutores estão tão cheios das suas próprias ideias que não reconhecem a presença de Cristo, o Messias que visita o seu povo. A sabedoria humana torna-se então arrogância e a doutrina degrada-se em soberba”, declarou Leão XIV, antes da recitação da oração do ângelus.

“A verdadeira sabedoria de Deus revela-se, pelo contrário, na humildade da carne, e o seu ensinamento dirige-se a quantos mais sofrem”, acrescentou, falando desde a janela do Palácio Apostólico para os peregrinos reunidos na Praça de São Pedro.

O pontífice centrou a sua meditação no “jugo” de Jesus, questionando a forma como o peso da cruz pode ser considerado “leve” e “suave”.

“Como verdadeiro mestre, Jesus toma sobre Si a humanidade ferida pelo mal, para dela cuidar. A sabedoria que Ele nos oferece é, por isso, um anúncio de salvação, e o seu jugo levanta-nos de cada queda”, indicou.

O nosso caminho não é, portanto, uma ascese que mortifica: é uma escola de liberdade, que leva a sério o drama da história e lhe ilumina sempre o sentido, sobretudo nos momentos mais obscuros. Com efeito, só na cruz de Jesus o mal é redimido: só na sua paixão o nosso cansaço mortal encontra consolação e redenção.”

Após a oração mariana, Leão XIV evocou a beatificação do sacerdote Francisco Xavier Tru’o’ng Bǚu, celebrada na última quinta-feira, no Santuário de Tac Say, no Vietname; o novo beato foi assassinado em 1946, “por ódio à fé”.

O Papa destacou que, num contexto de violência, o mártir “colocou-se como defensor dos direitos do povo e não abandonou os seus paroquianos”.

“Que a sua intercessão e a sua oração sustentem os trabalhadores do Evangelho que, ainda hoje, se encontram em situações de perseguição”, referiu.

A Sala de Imprensa da Santa Sé informou que Leão XIV participou, na noite de sábado, nas celebrações do Dia da Independência dos Estados Unidos da América, poucas horas após ter regressado da sua visita pastoral à ilha de Lampedusa.

O pontífice, de nacionalidade norte-americana, aceitou o convite de Brian Burch, embaixador dos EUA junto da Santa Sé, e deslocou-se à residência diplomática para assinalar os 250 anos da fundação do país.

“Sinto-me profundamente honrado por celebrar este dia especial com um concidadão americano e o bispo de Roma”, declarou o embaixador Burch, numa mensagem divulgada através das redes sociais.

OC

Partilhar:
Scroll to Top