Igreja/Ambiente: A guerra deixa «uma destruição social e ecológica que perdura gerações»

Mensagem de Leão XIV para o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação 2026 alerta para o «ciclo vicioso» criado pela «interação entre os conflitos armados e a degradação ambiental»

Foto Vatican Media

Cidade do Vaticano, 20 ago 2026 (Ecclesia) – O Papa Leão XIV afirma na mensagem para o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação 2026 que a guerra deixa “uma destruição social e ecológica que perdura gerações”, feridas que “danificam todo o tecido da vida”.

“Hoje, testemunhamos muitas crises e muito sofrimento humano. Parece, ao mesmo tempo, que a perturbação do equilíbrio harmonioso da criação está a acelerar. Estes fenómenos não deixam de estar relacionados: constituem um único apelo à cura e à paz, proveniente dum mundo ferido”, escreve Leão XIV, na mensagem para o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, enviada hoje à Agência ECCLESIA, e publicada na sala de imprensa da Santa Sé.

O Papa salienta que a guerra “deixa feridas que vão muito além do campo de batalha”, porque ceifa vidas, separa famílias, e obriga “milhões de pessoas a fugir para longe dos seus lares”, aumenta “o medo, a injustiça e a divisão”, e deixa “uma destruição social e ecológica que perdura por gerações”.

“A interação entre os conflitos armados e a degradação ambiental cria frequentemente um ciclo vicioso, que destrói ecossistemas, contamina recursos essenciais, como o ar e a água, e compromete a segurança alimentar. Isto faz crescer a pobreza, a desigualdade e novas tensões sociais que podem contribuir para o surgimento de mais conflitos.”

Leão XIV explica que a guerra “cria feridas que danificam todo o tecido da vida”, prejudica as pessoas e as comunidades, mas também a sua rede mais ampla de relações “com a inteira família humana e a sua harmonia com a criação”, o que revela uma “incapacidade ainda maior de viver à imagem e semelhança de Deus, de respeitar a vida e de cuidar da terra”.

‘Transformarão as suas espadas em relhas de arados e as suas lanças em foices’, do profeta Isaías (Is 2, 4), é o tema da mensagem do Papa para a 11.ª edição do Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, que a Igreja celebra no próximo dia 1 de setembro de 2026; data instituída na Igreja Católica por Francisco, em 2015.

Segundo Leão XIV, o apelo profético no tema desta jornada de oração é também um chamamento individual que convida “a transformar o mal em vida”, e exige, “em colaboração com a graça de Deus, uma conversão pessoal e coletiva mais radical”.

“As feridas da guerra e a degradação da terra estão, portanto, intimamente ligadas à condição do coração humano. Os conflitos que atormentam a humanidade são, em muitos aspetos, a expressão exterior da discórdia e da divisão interiores. Quando o coração está deformado, as relações sofrem e as estruturas que construímos começam a refletir essa desordem.”

Na mensagem, o Papa reconhece que os desafios são enormes, mas “Deus não deixa sem os meios para a cura e a transformação”, e concede “a força para curar, reconciliar e construir uma civilização do amor”, e para salvaguardar os ecossistemas da criação, das relações humanas e do próprio coração humano.

Leão XIV convida a imaginar um mundo que canalize as energias que investe na guerra no “desenvolvimento humano integral, a superação da pobreza, a proteção da dignidade humana e a reconciliação entre os povos”, porque as verdadeiras ferramentas para construir a paz são “a verdade, o diálogo, a paciência, a bondade, a justiça, a misericórdia, a compreensão, o cuidado e o amor”, e não as armas de destruição.

No Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação começa a celebração ecuménica e ecológica do ‘Tempo da Criação’, que este ano tem como tema ‘Água Viva’, do livro de Ezequiel (47:9, 12.), até a 4 de outubro, a Festa de São Francisco de Assis.

CB/PR

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