Numa audiência no Vaticano, Leão XIV definiu as dependências como «um problema complexo que põe em evidência o fracasso de um mundo desumanizado»

Cidade do Vaticano, 27 ago 2026 (Ecclesia) – O Papa destacou hoje, no Vaticano, a importância da família na prevenção contra a toxicodependência e manifestou o desejo de ver a Igreja junto dos que sofrem.
“Não há melhor prevenção contra as drogas do que uma boa família” afirmou Leão XIV, esta manhã, numa audiência com participantes de um encontro internacional em Roma sobre situações de dependência na América Latina.
No encontro, o Papa refletiu sobre o problema das drogas e o seu impacto nos jovens, referindo que “as dependências são um fenómeno complexo que põe em evidência o fracasso de um mundo desumanizado”.
Leão XIV aludiu ao panorama atual com “muitas famílias desestruturadas, seja devido ao consumo de drogas, à violência, ao recrutamento de um filho por grupos criminosos, à pobreza ou à falta de oportunidades que as empurram para a margem da sociedade”.
“São João Paulo II pediu-nos que fizéssemos da Igreja ‘a casa e a escola da comunhão’ (Carta apostólica Novo millennio ineunte, 43). E o Papa Francisco lembrou-nos que Jesus quer que ‘toquemos na miséria humana, que toquemos na carne sofredora dos outros’”, recordou.
O Papa desejou que “que a Igreja seja a família de todas as pessoas que ficaram à margem do caminho”.
“Tal como o samaritano, que se tornou próximo do homem caído, não passemos de longas; construamos uma Igreja que se detém, se aproxima, se comove, unge as feridas, alimenta e se torna um lar”, acrescentou.
Sobre a dependência das drogas, o Papa destacou que o sofrimento dos jovens exige “respostas integrais: prevenção comunitária, assistência científica, justiça com rosto humano e acompanhamento pastoral próximo”.
“A nossa contribuição deve centrar-se no cuidado, na presença e na reconstrução do tecido comunitário”, defendeu, indicando depois quatro pontes que “representam outras tantas vias de colaboração neste domínio”.
“A primeira ponte é entre a Igreja e as organizações internacionais, uma vez que ninguém pode enfrentar sozinho o problema das drogas”, disse, evidenciando a colaboração em curso entre a Organização dos Estados Americanos (OEA) e o Conselho Episcopal Latino-americano e do Caribe (CELAM).

Os dois “coordenam formações para organizações comunitárias de base religiosa, tecem redes de acompanhamento”, permitindo ao CELAM a apresentação do Manual da Pastoral Latino-americana de Acompanhamento e Prevenção das Dependências”, assinalou.
Na intervenção, o Papa realçou que a segunda ponte situa-se entre a ciência e a fé, frisando que a “Igreja não intervém na problemática das drogas com a pretensão de competir ou ocupar o lugar das neurociências, da psiquiatria ou da saúde pública”, mas procura “iluminá-la à luz do Evangelho, com uma compreensão integral da pessoa humana”.
“A terceira ponte situa-se no seio da Igreja em peregrinação pelos diferentes continentes. Nestes dias, chegaram até aqui pessoas provenientes da América, da Ásia, da África e da Europa para partilhar as suas dores, esperanças e entusiasmo pastoral”, expressou.
Por fim, o Papa ressaltou o ecumenismo como a quarta ponte, declarando que a “Igreja Católica e as outras comunidades eclesiais, na prática do amor concreto para com aqueles que sofrem, encontram uma linguagem comum muito eloquente, a partir da fé, para acompanhar e integrar os jovens nas suas necessidades e sonhos”.
Os participantes da audiência integram o encontro “Resposta baseada na fé às drogas e ao recrutamento criminoso de jovens: um diálogo da América Latina e do Caribe para o mundo”, que se iniciou na terça-feira e termina hoje, de acordo com o ‘Vatican News’.
A iniciativa é promovida pela Pastoral Latino-Americana de Acompanhamento e Prevenção de Dependências (PLAPA) do CELAM, pela Pontifícia Comissão para a América Latina (CAL) e pela Comissão Interamericana para o Controlo do Abuso de Drogas (CICAD) da OEA.
LJ
