«Caminhos na minha Terra»: Da capela do Parque Aquilino Ribeiro à catedral, guiados pela diretora dos Bens Culturais de Viseu

Fátima Eusébio fez uma visita pessoal e profissional pelo património religioso da cidade capital da Beia-Alta

Viseu, 27 ago 2026 (Ecclesia) – A diretora do Departamento Diocesano dos Bens Culturais de Viseu levou a Agência ECCLESIA numa viagem pelo património religioso da cidade beirã, um percurso pessoal e profissional desde a pequena capela do Parque Aquilino Ribeiro até à catedral.

“O visitante quando chega a este espaço da cidade de Viseu entra numa praça que é considerada uma das mais bonitas praças de Portugal, com um Cruzeiro do século XVIII,  com o Museu Grão Vasco, que era o antigo Seminário Maior da Diocese, e depois temos a catedral”, explicou Fátima Eusébio, na Sé de Viseu, no ‘Caminhos na minha Terra’, desta quinta-feira, 27 de agosto.

Segundo a diretora do Departamento Diocesano dos Bens Culturais de Viseu, a Sé “é um puzzle”, com contributos de vários períodos artísticos, “desde o período românico até ao século XX”, onde se pode visitar o claustro, o Tesouro da Catedral – Museu de Arte Sacra, e o Passeio dos Cónegos.

“Todos estes elementos artísticos, que são de épocas diferentes, resultam num edifício extremamente harmonioso, se calhar, o elemento mais intrusivo é o presbitério, mas estamos em presença de um edifício que no seu conjunto tem sido muito sempre destacado pela sua beleza por parte dos visitantes”, acrescentou, em declarações à Agência ECCLESIA.

O Departamento Diocesano dos Bens Culturais de Viseu nasceu há quase 20 anos, no edifício do seminário maior, em 2007, onde estiveram até 2012, e, segundo Fátima Eusébio, “foi especialmente gratificante”, porque estruturaram “aquilo que se pretendia deste organismo diocesano”, e foi um período onde o próprio espaço “proporcionou a possibilidade de inúmeras atividades”, muitas em ligação com as escolas, e fizeram as primeiras exposições temporárias.

O seminário diocesano é um espaço que tem “um valor especial do ponto de vista sentimental e de memória”, e tem umas escadas suspensas que “já aparecem referenciadas na documentação do século XVIII”.

Na igreja da Ordem Terceira do Carmo, do outro lado da rua, a talha dourada do período Barroco – nos altares, no arco cruzeiro, sanefas e púlpitos -, que foi o objeto da investigação de Fátima Eusébio no doutoramento, conjuga-se com o azul dos azulejos, a pintura, e as peças de mobiliário contemporâneo, no presbitério, da autoria de Paulo Neves.

“E aqui temos o exemplo de uma igreja que podemos qualificar como uma obra de arte total, na historiografia da arte é precisamente reportada àqueles espaços onde se articulam estas vertentes artísticas”, explicou a professora universitária, salientando a pintura em perspetiva no teto, “com a imagem de Nossa Senhora do Carmo ao centro”, e os painéis de azulejos com cenas profanas.

“Foi construída na sequência da fundação da Ordem Terceira do Carmo, a bênção do espaço ocorreu logo em 1738; é também uma das igrejas que durante o dia se mantém sempre aberta, e isto é muito importante, estas igrejas de portas abertas, e é muito procurada também pela comunidade para as suas orações diárias”, acrescentou.

A visita ao património religioso da cidade de Viseu, que marca a vida pessoal e profissional da diretora do Departamento dos Bens Culturais desta diocese, começou em frente à capela da Senhora da Vitória, associada “ao período da crise de 1383-85, no Parque Aquilino Ribeiro, perto do Liceu Alves Martins onde estudou.

“Por isso, faz parte do meu percurso de adolescente e jovem estudante, passei muitas horas neste parque com grupos de amigos, também a namorar; e no meu dia-a-dia passava aqui pela capela da Senhora da Vitória, que sempre foi um espaço muito pequenino, mas muito elegante. Eu olhava para ela e além daquele interesse que me suscitava pela sua fachada, havia aqui também um certo mistério, porque sempre a conheci fechada”, recordou.

“É um espaço muito bonito, e acho que esta capela é um contributo também acrescido neste espaço onde podemos desfrutar da natureza, ouvir o som da água. Eu costumo dizer que aqui ouvimos Deus através desta obra da criação de Deus da natureza, e também temos presente aqui o elemento religioso com a Nossa Senhora da Vitória.”

Ao lado, no Rossio, a igreja dos Terceiros “é um exemplar da gramática do Rococó” e “um espaço marcante para Viseu, conhecida por cidade de jardim”, acolheu frades Franciscanos Conventuais, até outubro de 2025, “que para a cidade representa uma perda muito grande”, porque se destacava pela proximidade, “que conseguia cativar os jovens para a Igreja, e, por isso as celebrações, diárias e ao fim de semana, estavam sempre cheias”.

“Nesta fachada, a cantaria de granito, que é a pedra característica da nossa região, sobressai o brasão franciscano, com o cruzamento do braço de São Francisco e de Cristo; o interior, temos estruturas retabulares, onde o ouro se mistura com o azul dos marmoreados e do lápis-lazúli, e um lambrim de azulejos com cenas da vida de São Francisco”, destacou Fátima Eusébio, no ‘Caminhos na minha terra’, a proposta do Programa ECCLESIA à quinta-feira, até dia 3 de setembro.

CB/PR

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