Francisco alerta para «clima de injustiça e crime» na região, que atinge em particular as comunidades indígenas

Cidade do Vaticano, 12 fev 2020 (Ecclesia) – O Papa alerta na sua nova exortação apostólica “Querida Amazónia”, divulgada hoje, para o “desastre ecológico” na região, com impacto em toda a humanidade.

“O equilíbrio da terra depende também da saúde da Amazónia”, escreve Francisco.

A exortação “Querida Amazónia” resulta da assembleia especial do Sínodo dos Bispos para a região pan-amazónica”, celebrada com o tema ‘Amazónia, novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral’, de 6 a 27 de outubro de 2019.

A região tem uma extensão de 7,8 milhões de km2, incluindo áreas do Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa; dos seus cerca de 33 milhões de habitantes, 3 milhões são indígenas pertencentes a 390 grupos ou povos.

O Papa critica a visão de quem apresenta a Amazónia como “um enorme vazio que deve ser preenchido, como uma riqueza em estado bruto que se deve aprimorar, como uma vastidão selvagem que precisa de ser domada.

“Tudo isto, numa perspetiva que não reconhece os direitos dos povos nativos ou simplesmente os ignora como se não existissem e como se as terras onde habitam não lhes pertencessem”, alerta.

O texto fala num “clima de injustiça e crime”, que permite até o assassinato de lideranças indígenas, com novas “formas de escravidão, sujeição e miséria”.

O interesse de algumas empresas poderosas não deveria ser colocado acima do bem da Amazónia e da humanidade inteira”.

O Papa apela a mudanças para um estilo de vida “menos voraz, mais sereno, mais respeitador, menos ansioso, mais fraterno”.

A exortação aborda a situação nas cidades da Amazónia, considerando que ali “crescem também a xenofobia, a exploração sexual e o tráfico de pessoas”.

A questão ecológica ocupa o terceiro capítulo da exortação, convidando a “ouvir o grito da Amazónia” para que o desenvolvimento seja sustentável.

Podem encontrar-se alternativas de pecuária e agricultura sustentáveis, de energias que não poluem, de fontes dignas de trabalho que não impliquem a destruição do meio ambiente e das culturas. Simultaneamente é preciso garantir, para os indígenas e os mais pobres, uma educação adequada que desenvolva as suas capacidades e empoderamento”.

O documento é divulgado no dia em que assinalam 15 anos sobre o assassinato da irmã Dorothy Stang, religiosa da Congregação Notre Dame de Namur, conhecida pelo seu trabalho missionário e em defesa dos camponeses, na Amazónia, onde foi morta a tiro.

O Sínodo especial de 2019 recebeu críticas de quem via na sua realização uma ameaça à soberania nacional, em particular do Brasil, sobre este território.

O Papa explica que a Igreja Católica não defende a “internacionalização” da Amazónia, mas apela à “responsabilidade dos governos nacionais”, com criação de “um sistema normativo” que inclua “limites invioláveis”.

O Sínodo dos Bispos pode ser definido, em termos gerais, como uma assembleia consultiva de representantes dos episcopados católicos, a que se juntam peritos e outros convidados, com a tarefa ajudar o Papa no governo da Igreja.

OC

Sínodo 2019: Vaticano alerta para destruição «dramática» da Amazónia e enuncia «pecados ecológicos»

 

 

 

Partilhar:
Share