Papa responde a pergunta sobre eventual revisão da doutrina católica sobre contraceção

Foto: Lusa/EPA

Cidade do Vaticano, 30 jul 2022 (Ecclesia) – O Papa afirmou que hoje que o pensamento teológico na Igreja deve “ser aberto”, respondendo a uma sobre pergunta sobre a eventual revisão da doutrina católica sobre contraceção.

“O dogma, a moral, está sempre num caminho de desenvolvimento, mas num desenvolvimento no mesmo sentido”, indicou aos jornalistas, no voo de regresso a Roma, após uma viagem de seis dias ao Canadá, que se concluiu na sexta-feira.

Francisco apresentou a “regra” de São Vicente de Lérins, teólogo do século V, segundo o qual a doutrina “consolida-se com o tempo, expande-se e consolida-se, torna-se mais firme, mas sempre progredindo”.

“O desenvolvimento teológico deve ser aberto, os teólogos estão (lá) para isso. E o magistério deve ajudar a compreender os limites”, afirmou.

O Papa referiu-se a um recente congresso teológico sobre a questão da contraceção e outras questões do casamento, observando que os participantes “cumpriram o seu dever, porque tentaram avançar na doutrina, mas no sentido eclesial, não fora”.

“Depois o Magistério dirá: sim, está bem, ou não está bem”, acrescentou.

Francisco deu como exemplos de evolução do pensamento moral, na teologia católica, a condenação da pena de morte ou da posse (e não apenas a utilização) de armas atómicas, no atual pontificado.

“Acho que isso está muito claro: uma Igreja que não desenvolve o seu pensamento no sentido eclesial é uma Igreja que retrocede, e esse é o problema de hoje, de muitos que se dizem tradicionais. Não, não, não são tradicionais, são ‘recuadores’, retrocedem, sem raízes: sempre se fez assim, no século passado se fez assim”, observou.

O Papa falou mesmo do “pecado” de quem “não avança com a Igreja”, destacando que a a tradição é “a fé viva dos mortos”, não “a fé morta dos vivos”.

“É importante entender bem o papel da tradição, que está sempre aberta, como as raízes da árvore, e a árvore cresce”, precisou.

Na sua exortação apostólica ‘Amoris Laetitia’ (a alegria do amor), o Papa escreve que a “consciência reta dos esposos” pode “orientá-los para a decisão de limitar o número dos filhos por razões suficientemente sérias”, rejeitando, contudo, “intervenções coercitivas do Estado a favor da contraceção, da esterilização e até mesmo do aborto”.

Francisco citava a encíclica ‘Humanae Vitae’, de São Paulo VI, em que se fala do “uso dos métodos baseados nos ‘ritmos naturais da fecundidade’”.

OC

Partilhar:
Share