O Vaticano lamentou a falta de acordo sobre o desarmamento, na última Assembleia Geral da ONU, criticando ainda a pouca clareza na utilização do termo “saúde reprodutiva”. O representante católico junto das Nações Unidas, D. Celestino Migliore, deixou estas críticas no decorrer do Debate Geral da 60ª sessão da Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque. Após sete dias de sessões, nas quais se escutaram discursos de representantes de mais de 175 países, o Arcebispo Migliore apresentou um “balanço” do encontro, afirmando que a Santa Sé “dá as boas-vindas a boa parte das propostas”. Apesar desse balanço positivo, o prelado lamentou o silêncio em torno da questão dos armamentos e afirmou que “a falta de consenso sobre o controlo de armas e a sua proliferação é algo lamentável”. “O silêncio do documento final sobre desarmamento e não-proliferação é preocupante. O armamento nuclear é simplesmente devastador para pessoas e para o ambiente, destrói a vida de pessoas e o substrato de qualquer economia”, afirmou o Arcebispo Migliore. Assegurando que a Igreja não deixará de “insistir na não-proliferação nuclear”, o representante católico defendeu que “não deveria economizar-se nenhum esforço para travar não só a produção de armas nucleares, mas também qualquer intercâmbio destes materiais”. “É preocupante saber que o valor global de gastos em armamentos estimado para o ano 2004 superou mil milhões de dólares americanos, prevendo-se que continue a aumentar”, vincou o prelado, que apontou ainda o dedo ao “elevado número de mortes originadas pelo tráfico e venda ilícitas de armas de pequeno calibre”. Saúde Reprodutiva? O representante vaticano afirmou ainda que a sua delegação colocou as mesmas reservas que tinha manifestado nas conferências da ONU no Cairo sobre o desenvolvimento (1994) e em Pequim sobre a mulher (1995), perante a utilização do termo “saúde reprodutiva” (reproductive health) no documento final. A Santa Sé aplica este termo a um “conceito integral de saúde que não tem em conta o aborto ou o acesso ao aborto”. Na reunião que precedeu a Assembleia, o Cardeal Angelo Sodano, Secretário de Estado do Vaticano, tinha defendido que “seria melhor falar claramente de ‘saúde das mulheres e das crianças’ em vez de usar o termo de ‘saúde reprodutiva’”. Na sua intervenção final, o Arcebispo Migliore abordou também algumas das questões mais importantes discutidas pela assembleia, como o papel das Nações Unidas, tema no qual apresentou três áreas específicas de desafio ético: “solidariedade com os pobres, promoção do bem comum e um meio ambiente sustentável”. O prelado apoiou a reforma da Comissão para os Direitos Humanos e recordou que os Direitos Humanos não são algo relativo, que pode depender das culturas ou circunstâncias, mas que “são inegáveis”. “Na sua essência, têm de ser reconhecidos universalmente”, afirmou.
