Segunda sessão do consistório extraordinário começou com evocação das vítimas do sismo na Venezuela

Cidade do Vaticano, 27 jun 2026 (Ecclesia) – Os cardeais reunidos em consistório extraordinário debateram esta sexta-feira, no Vaticano a “cultura do poder” e da violência, num encontro marcado pela solidariedade com as vítimas do sismo na Venezuela.
O prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, cardeal Víctor Manuel Fernández, defendeu a necessidade de “superar a teoria da guerra justa” perante o uso abusivo que é feito deste conceito em diversos cenários internacionais.
Numa intervenção divulgada pela sala de imprensa da Santa Sé, o colaborador do Papa mostrou-se crítico da natureza “extremamente desproporcional das intervenções militares em Gaza e no sul do Líbano”, por parte do exército de Israel.
O cardeal argentino sublinhou que a legítima defesa deve ser entendida num “sentido mais estrito” e nunca confundida com ações preventivas que carecem de provas concretas.
O prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé apontou a desproporção das operações militares no Médio Oriente como exemplos que “ultrapassam excessivamente os limites da legítima defesa”.
O responsável alertou para uma “profunda transformação cultural” que favorece a normalização da violência e a reabilitação da guerra como um instrumento aceite na política internacional.
Esta “cultura do poder”, explicou o cardeal, atua através da desinformação e da “ridicularização do adversário”, preparando o terreno para que novos conflitos ocorram sem resistência efetiva por parte das populações.
Os trabalhos iniciaram-se com uma oração pelas vítimas dos sismos de quarta-feira na Venezuela, que causaram centenas de mortos e milhares de feridos e desaparecidos.
A sessão da tarde centrou-se na análise do capítulo quinto da encíclica ‘Magnifica Humanitas’, de Leão XIV, que aborda a questão da guerra e da reconciliação.
Os grupos de trabalho manifestaram a urgência de abandonar a “globalização da indiferença” e de construir uma civilização assente no amor e no bem comum.
Vários cardeais convergiram na rejeição da “lógica da guerra justa”, defendendo que o Evangelho não se impõe através da força.
A reflexão dos membros do Colégio Cardinalício destacou o papel do Papa como garantia de independência da Igreja face ao poder político e económico.
O programa oficial inclui um debate com o Papa, na tarde de sábado, sobre a implementação do Sínodo e encerra-se na segunda-feira com a Missa da solenidade de São Pedro e São Paulo.
O Colégio Cardinalício tem 241 cardeais oriundos de 92 países dos cinco continentes, incluindo Portugal, entre os quais 117 eleitores.
OC
