Onde há amor, há oração

José Luís Nunes Martins

Foto de Anna Rafal na Unsplash

A oração é a expressão máxima do amor. O amor exige presença, silêncio e tempo, muito tempo, ao ponto de quem ama se esquecer de si. A oração é igual.

A oração é uma manifestação de carinho e de fragilidade. O amor é uma vontade de entregar toda a riqueza e, ao mesmo tempo, uma pobreza que estende a mão.

Amar eleva a nossa alma, rezar também.

Somos chamados, se quisermos ser felizes, a amar e a pedir pelos que não nos amam e pelos que não amamos.

É, pois, no silêncio do nosso quarto e no interior do nosso coração que devemos falar com Deus sobre os que amamos e dos que não amamos, procurando amar mais uns e outros.

A oração tem sempre algo de tão belo quanto de clandestino. Não é uma troca nem uma resposta concreta que se deseja; é uma confiança que se deposita em quem se ama e se quer amar. Uma palavra sussurrada pode valer muito mais do que um discurso a uma multidão.

O amor com que se reza é mais importante do que qualquer palavra que se use.

Os que julgam que se bastam a si mesmos, que não precisam nem dependem de ninguém, vivem numa ilusão perigosa que se pode desmoronar a qualquer instante. A vida tende a dar lições muito duras a quem não aprende o que é evidente.

A oração muda quem a faz. Aperfeiçoa os sentimentos e aproxima o pensamento da verdade. O amor também.

Quem ama abre, estende e entrega o seu coração ao Céu e ao outro. Quem reza também.

(Os artigos de opinião publicados na secção ‘Opinião’ e ‘Rubricas’ do portal da Agência Ecclesia são da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)

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