Lisboa, 27 ago 2012 (Ecclesia) – O portal de notícias do Vaticano assinalou o início da 22ª Semana Mundial da Água, que decorre desde domingo até sexta-feira em Estocolmo, recordando as posições da Santa Sé em defesa de um “elemento essencial para a vida”.

A iniciativa, instituída pela ONU em 1991, tem como tema ‘Água e segurança alimentar’ e visa refletir “sobre os numerosos problemas ligados à utilização deste bem”, destaca o Vaticano.

Neste contexto, é recordada a posição assumida em março, durante o 6.º Fórum Mundial da Água, na cidade francesa de Marselha, pelo Conselho Pontifício Justiça e Paz, em nome da Santa Sé.

Este organismo apelou à ação “urgente” da comunidade internacional para assegurar o acesso à água por parte da população mundial, sublinhando que este não é “um bem meramente mercantil”, mas “público”.

“Se é compreensível e lógico que os atores privados tendam a desenvolver atividades rentáveis, eles não devem esquecer que a água tem um valor social e deve ser acessível para todos”, referia o texto intitulado ‘Água, um elemento essencial para a vida’.

A Santa Sé sublinhou que são necessárias mais do que “declarações de intenções” num momento em que “milhares de milhões de pessoas estão sem água em quantidade ou qualidade suficientes para uma vida digna, segura e confortável”.

Segundo este documento, os números da sede estão “subestimados”, por ser necessária uma leitura do direito à água baseada no “acesso regular e constante a água potável que seja acessível economicamente, legalmente e de facto”.

Seguindo estes critérios, assinala o CPJP, constata-se que 1,9 mil milhões de pessoas têm à sua disposição apenas água insalubre e que 3,4 mil milhões de pessoas utilizam ocasionalmente água de “qualidade insegura”.

A Santa Sé espera que sejam tomadas “decisões incisivas” neste campo, antes de recordar que o aquecimento global e as alterações climáticas vão afetar os recursos disponíveis, pelo que “milhões de pessoas poderiam ficar privadas da água”.

O documento pede uma melhor gestão da água por parte das autoridades públicas, dos operadores privados e da sociedade civil, frisando a “importância da sobriedade nos consumos”.

Na Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2010, Bento XVI alertava para a “questão, hoje mundial, da água e ao sistema hidrológico global, cujo ciclo se reveste de primária importância para a vida na terra, mas está fortemente ameaçado na sua estabilidade pelas alterações climáticas”.

Em 2007, numa mensagem escrita por ocasião do Dia Mundial da Água, o Papa afirmava que “a água é um direito inalienável”, pedindo que todos possam ter acesso a ele, “em particular quem vive em condições de pobreza”.

Bento XVI integrou na Academia Pontifícia das Ciências, da Santa Sé, um dos cientistas mundiais mais respeitados em matéria de hidrologia e ciências ambientais, o venezuelano Ignacio Rodriguez-Iturbe, que recebeu o Prémio Estocolmo da Água em 2002, uma espécie de ‘Nobel’ neste campo.

OC

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