Francisco pede superação de visão «infantil» de um Deus de «uso e consumo» pessoal

Foto: Lusa/EPA

Cidade do Vaticano, 23 nov 2022 (Ecclesia) – O Papa convidou hoje a “abrir o coração” para preparar o Natal, falando do início do tempo do Advento, a 27 de novembro.

“O próximo domingo marca o início do Advento, tempo litúrgico que antecede e prepara a celebração do Santo Natal. Desejo que cada um de vós abra o coração ao Senhor: recomendo-vos, abrir o coração ao Senhor para preparar o caminho àquele que vem preencher, com a luz da sua presença, todas as nossas fraquezas humanas”, disse, no final da audiência pública semanal, no Vaticano.

Numa Praça de São Pedro em que já são visíveis a árvore de Natal e os preparativos para a montagem do presépio, Francisco refletiu sobre a “consolação” espiritual e convidou a superar uma visão “infantil” de Deus.

“Corremos o risco de viver a relação com Deus de forma infantil, de o reduzir a um objeto para nosso uso e consumo, perdendo o dom mais belo, que é Ele próprio”, acrescentou.

Prosseguindo o ciclo de reflexões sobre o tema do discernimento, o Papa falou dos “equívocos” algumas vezes são associados à ideia de consolação espiritual, que distinguiu da “vontade de se fechar em si mesmo e não fazer nada”.

“É uma profunda experiência de alegria interior, que permite ver a presença de Deus em tudo; revigora a fé e a esperança, assim como a capacidade de fazer o bem. Trata-se de um grande dom para a vida espiritual e para a vida no seu conjunto”, precisou.

Francisco advertiu que “há também falsas consolações”.

“As suas imitações são mais barulhentas e vistosas, são fogo de palha, sem consistência, levam a fechar-se em si mesmo, e a não se preocupar com os outros. No final, a falsa consolação deixa-nos vazios, distantes do centro da nossa existência”, indicou.

No final da audiência, o Papa recordou a beatificação do padre e médico Giuseppe Ambrosoli, celebrado este domingo em Kalongo, no norte do Uganda.

Francisco pediu um aplauso para o novo beato, que “gastou a sua vida pelos doentes, nos quais via o rosto de Cristo”.

“Que o seu extraordinário testemunho cada um de nós a ser digno de uma Igreja em saída”, desejou.

OC

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