Leão XIV lembrou as «crianças inocentes», mães e pais angustiados, os prisioneiros maltratados e refugiados, e todas as «pessoas sofredoras»

Cidade do Vaticano, 30 mai 2026 (Ecclesia) – O Papa presidiu à oração do Rosário pela paz, no final do mês mariano de maio, na gruta de Nossa Senhora de Lurdes do Vaticano, unido a vários locais de culto no mundo, como o Santuário português de Fátima.
“A paz não é uma teoria a ser verificada em laboratório, nem uma ilusão ingénua, nem um negócio a ser gerido por interesse. Quando é procurada com um coração sincero, ela é, antes, um compromisso quotidiano da nossa vida”, disse Leão XIV, no final do Terço, antes da bênção final, numa intervenção enviada à Agência ECCLESIA.
O Papa explicou que a paz “brota da justiça e do amor”, como uma harmonia que une as pessoas, as famílias, as comunidades, os povos, e, “neste tempo de tensões e conflitos”, torna-se possível quando “se quer escutar o grito de quem dela está privado”.
“Crianças inocentes, mães e pais angustiados, prisioneiros maltratados, refugiados, pessoas sofredoras de todas as idades. Todos estes têm nos lábios uma só palavra: paz! Nós sabemo-lo: a paz é sempre possível porque é um dom de Deus. Esta paz, a sua paz, tem o rosto de Jesus Cristo, o Filho de Deus, que na sua vida doada por nós reconciliou o céu e a terra.”
Leão XIV explicou que quando as pessoas se afastam de Deus “afastam-se também do homem”, do seu próximo, e permanecem “indiferentes à sua dor”, e cada vez que regressam “ao Senhor, a sua paz torna-se compromisso, segundo as tarefas e as responsabilidades de cada um”, quando se comportam como “verdadeiros discípulos” do amor de Jesus, “o Espírito Santo pode realizar aquilo que parece humanamente impossível”.
Segundo o Papa, a oração torna-se “missão e profecia”: “Não deverá mais haver pranto de inocentes nas nossas cidades; ninguém deverá fugir da própria casa devido à ameaça das bombas; a ganância de poder e a violência das palavras darão lugar à sede de justiça e de verdade.”
Neste sentido, indicou que cada um pode e deve fazer a sua parte, “começando por coisas pequenas mas importantes”, abstendo-se de toda a violência verbal ou física, “na vida de todos os dias e também nas redes sociais”.
“Caros irmãos e irmãs, a verdadeira paz começa num coração que ama; é testemunhada por lábios que pronunciam palavras de reconciliação; reflete-se nos olhos que olham para o mundo com mansidão e sabedoria. Esta é a verdadeira força, a força da verdade e do amor.”
No final da Oração Mariana do Rosário, Leão XIV afirmou que “Deus procura construtores de paz”, e pediu que a “Mãe Santíssima ajude” cada um a responder-lhe “todos os dias ‘eis-me aqui’, não com palavras, mas com atos”.
“Contemplar com Maria os mistérios do Rosário conduz-nos a reconhecer em Jesus Cristo a única e definitiva Palavra que o Pai pronunciou, Palavra de paz para todos aqueles que regressam a Ele com o coração arrependido”, explicou.
Leão XIV, começou o discurso com o Salmo 85 – «escutarei o que diz Deus, o Senhor: ele anuncia a paz para o seu povo, para os seus fiéis, para quem regressa a ele com confiança» -, e explicou que esta citação acompanha “bem a oração do Rosário” no Vaticano porque “expressam a esperança” que sentem necessidade, “sobretudo perante as dificuldades e as violências do tempo presente.
| O Santuário mariano de Fátima em Portugal uniu-se ao Papa nesta oração do Rosário pela paz mundial, que decorreu em vários locais de culto nos vários continentes – o Santuário da Mãe de Deus, na Ucrânia; o Santuário Internacional de Nossa Senhora da Paz e da Boa Viagem, nas Filipinas; o Santuário de Nossa Senhora Rainha da Paz, em Medjugorje, Bósnia e Herzegovina; o Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, em França; o Santuário de São Charbel Anaia, no Líbano; e o Santuário Pontifício da Santa Casa, em Loreto, na Itália, Santuário de Nossa Senhora Aparecida, no Brasil -, entre outros como Bagdade (Iraque), Nigéria, México, Estados Unidos da América, Kuwait. |
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