Economista membro da Comissão do Vaticano para a Covid-19 entende que a «vacina não é a única solução»

Foto Sala de Imprensa da Santa Sé

Cidade do Vaticano,13 jan 2022 (Ecclesia) – Luigino Bruni, membro da Comissão do Vaticano para a Covid-19, comentou o apelo do Papa ao Corpo Diplomático pelo acesso universal à vacinação e disse que um “mal global” tem de ser combatido com um “bem comum global”.

“A estratégia vacinal não é a única forma de derrotar um vírus que varia tão rápido no planeta. No entanto, o que interessa a Francisco acima de tudo, é afirmar que não podemos continuar a pensar em termos nacionalistas. É necessária uma ação global e mundial, porque a pandemia é um mal global ao qual devemos responder com um bem comum global”, refere o economista à Vatican News.

Luigino Bruni defende que não pode haver uma “visão nacionalista” perante um mal global.

“Perante as últimas variantes do vírus que chegam dos países mais pobres, surgiu a ideia de que, fechando-nos na nossa fortaleza, na nossa cidade ou no nosso país, podemos alcançar a imunidade de rebanho ideal. Estamos iludidos porque o nosso pequeno rebanho nacional é o rebanho mundial, enquanto a única imunidade de rebanho possível é a do planeta”, afirma.

Apesar de apontar a vacina como “realmente fundamental” Luigino Bruni entende que “não é a única solução para este problema” e que há necessidade de “abrir outras perspetivas”.

“O bom senso e o raciocínio prático, que sempre distinguiram a Igreja, levam-nos a dizer que a estratégia deve ser: vacina mais tratamento. Desde que seja uma estratégia global, inclusiva, não vinculada apenas aos lucros”, assinala.

O economista, citado pelo Vatican News, destaca que a “grande mensagem desta crise pandémica é “a riqueza dos indivíduos e das Nações ser insuficiente para gerir um problema tão completo e generalizado” e defende ser “ético pensar também na redistribuição dos lucros das empresas farmacêuticas multinacionais”.

SN

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