«Conversas na Ecclesia» analisaram o documento aprovado na última Assembleia Plenária da CEP com o padre Manuel Barbosa e Pedro Vaz Patto

Lisboa, 24 jun 2020 (Ecclesia) –  O secretário e porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa disse à Agência ECCLESIA que é necessário garantir o acesso universal à vacina para o novo coronavírus, considerando que se trata de uma questão de “bem comum”.

“É o bem comum que está em jogo”, disse o padre Manuel Barbosa, rejeitando “jogos políticos” e afirmando a necessidade de um acesso “por igual” à vacinação, quando estiver disponível.

O secretário e porta-voz da CEP e o presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) analisaram nas Conversas na Ecclesia o documento “Recomeçar e Reconstruir”, aprovado na última Assembleia Plenária da Conferência Episcopal, onde se afirma a “necessidade de tornar universal o acesso à futura vacina contra o Covid-19, o que supõe que se supere uma ‘utilização demasiado rígida dos direitos de propriedade intelectual no campo sanitário’”.

Para Pedro Vaz Patto, presidente da CNJP, “fica frustrada” a ideia de “globalização da solidariedade” se “a vacina não chegar a todo o lado” e o poder sobre patentes a “tornar menos acessível”.

“Pode haver formas de Estados ou organizações internacionais aquirirem esta vacina sem que o acesso à mesma fique dependente de recursos económicos”, afirmou Pedro Vaz Patto.

Para o presidente da CNJP, o acesso universal à vacina covid-19 é uma forma de concretização da “globalização da solidariedade”, defendida no documento da CEP.

Pedro Vaz Patto lembrou que o projeto da União Europeia nasceu após uma catástrofe, a II Grande Guerra, motivada pelas “lições que se podiam colher desse acontecimento”.

“Este projeto, hoje, atravessa uma crise, porque há forças que o põem em causa, impulsionam no sentido de um nacionalismo estreito, da predominância de interesses nacionais, de um certo egoísmo nacional e esta é uma ocasião que a EU mostrar que funciona como uma verdadeira comunidade”, afirmou o presidente da CNJP.

Nas Conversas na Ecclesia, que refletiu também sobre o valor da vida e a necessidade e de um novo modelo económico e social, o secretário e porta-voz da CEP referiu-se ainda a um próximo documento da CEP, anunciado neste pronunciamento, para repensar a as questões da pastoral da Igreja Católica no contexto da pandemia.

“É preciso adaptar-se, inovar, no campo das celebrações, da catequese, dos laços comunitários, da sua presença e ação na sociedade”, lembrou o padre Manuel Barbosa.

A próxima Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa está prevista para o mês de novembro, entre os dias 9 e 12.

PR

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