Francisco recorda conflitos militares e crises humanas, com alerta para a região de Cabo Delgado, Moçambique

Foto: Lusa/EPA

Cidade do Vaticano, 12 abr 2020 (Ecclesia) – O Papa reforçou hoje o seu apelo a um cessar-fogo “global e imediato”, que foi deixado também pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, e recordou os conflitos militares e crises humanas que afetam a humanidade.

“Este não é tempo para divisões. Cristo, nossa paz, ilumine a quantos têm responsabilidades nos conflitos, para que tenham a coragem de aderir ao apelo a um cessar-fogo global e imediato em todos os cantos do mundo”, disse, desde a Basílica de São Pedro, onde este ano proferiu a sua mensagem pascal, antes da bênção ‘Urbi et Orbi’.

Como fizera horas antes, na Vigília Pascal, Francisco convidou ao fim do fabrico e comércio de armamentos, que envolvem “somas enormes que deveriam ser usadas para cuidar das pessoas e salvar vidas”.

“Pelo contrário, seja o tempo em que finalmente se ponha termo à longa guerra que ensanguentou a Síria, ao conflito no Iémen e às tensões no Iraque, bem como no Líbano. Seja este o tempo em que israelitas e palestinos retomem o diálogo, para encontrar uma solução estável e duradoura que permita a ambos os povos viverem em paz”, apelou.

O Papa recordou a situação nas regiões orientais da Ucrânia e os ataques terroristas perpetrados contra “tantas pessoas inocentes” em vários países da África, com referência especial à região de Cabo Delgado, no norte de Moçambique.

A província moçambicana tem sido alvo de ataques de grupos armados que organizações internacionais classificam como uma ameaça terrorista, tendo registado a morte de pelo menos 350 pessoas e afetando milhares de pessoas, que abandonaram a sua casa em busca de segurança.

Francisco mostrou-se preocupado com a possibilidade de “esquecimento” de outras situações de crise, por causa da pandemia de Covid-19, manifestando solidariedade particular para as populações da Ásia e da África que estão a atravessar “graves crises humanas”.

A intervenção evocou ainda as “inúmeras pessoas refugiadas e deslocadas por causa de guerras, seca e carestia”, os “inúmeros migrantes e refugiados, muitos deles crianças,” que vivem em “condições insuportáveis”, especialmente na Líbia e na fronteira entre a Grécia e a Turquia.

“Não quero esquecer a ilha de Lesbos”, acrescentou.

O Papa rezou para que, na Venezuela, se chegue a “soluções concretas e imediatas, destinadas a permitir a ajuda internacional à população que sofre por causa da grave conjuntura política, socioeconómica e sanitária”.

Francisco lembrou que a pandemia levou, em muitos países, à suspensão das celebrações comunitárias.

“O Senhor não nos deixou sozinhos! Permanecendo unidos na oração, temos a certeza de que Ele colocou sobre nós a sua mão”, disse às comunidades católicas, desejando que deste tempo nasça um “contágio” da esperança, a partir da fé na “vitória do amor sobre a raiz do mal”.

“O Ressuscitado é o Crucificado; e não outra pessoa. Indeléveis no seu corpo glorioso, traz as chagas: feridas que se tornaram frestas de esperança. Para Ele, voltamos o nosso olhar para que sare as feridas da humanidade atribulada”, rezou.

No final da sua mensagem, o pontífice pediu o fim de atitudes de “indiferença, egoísmo, divisão, esquecimento”.

“Com estas reflexões, gostaria de desejar-vos a todos uma Boa Páscoa”, concluiu.

OC

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