Mensagem de Natal evoca crises nos cinco continentes

Foto: Lusa/EPA

Cidade do Vaticano, 25 dez 2020 (Ecclesia) – O Papa recordou hoje, na sua mensagem de Natal, as crianças que são vítimas da guerra, evocando ainda o conflito em Cabo Delgado, norte de Moçambique.

“No dia em que o Verbo de Deus se faz menino, reparemos em tantas crianças que em todo o mundo, especialmente na Síria, Iraque e Iémen, ainda estão a pagar o alto preço da guerra. Que os seus rostos sensibilizem as consciências dos homens de boa vontade, para que se enfrentem as causas dos conflitos e se trabalhe com coragem para construir um futuro de paz”, disse Francisco, que pronunciou a mensagem e concedeu a bênção ‘Urbi et Orbi’ na Sala das Bênçãos do Palácio Apostólico do Vaticano, por causa das restrições impostas pela pandemia.

A cerimónia decorreu às 12h00 de Roma (menos uma em Lisboa); já na Páscoa, o Papa tinha concedido a tradicional bênção ‘Urbi et Orbi’ (à cidade [de Roma] e ao mundo), na Basílica de São Pedro, sem deslocar-se à varanda.

Uma semana depois de ter recebido no Vaticano o bispo de Pemba (Moçambique), Francisco rezou hoje para que “o Deus Menino dê conforto aos habitantes da região de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, vítimas da violência do terrorismo internacional”.

Falando do continente africano, a intervenção, transmitida online, lembrou o “sofrimento das populações do Burquina Faso, Mali e Níger, atingidas por uma grave crise humanitária”; a Etiópia e as situações no Sudão do Sul, Nigéria e Camarões.

Francisco referiu-se à crise no Médio Oriente, apelando ao diálogo entre Israel e Palestina, para que se chegue a uma “paz justa e duradoura”.

O Papa pediu paz para a Líbia e solidariedade para o Líbano, desejando que este país possa “continuar na sua vocação de liberdade e convivência pacífica”.

Francisco falou ainda do cessar-fogo no Nagorno-Karabakh, bem como nas regiões orientais da Ucrânia.

Que o Verbo eterno do Pai seja fonte de esperança para o continente americano, particularmente afetado pelo coronavírus, que exacerbou os inúmeros sofrimentos que o oprimem, muitas vezes agravados pelas consequências da corrupção e do narcotráfico. Ajude a superar as recentes tensões sociais no Chile e a pôr fim aos sofrimentos do povo venezuelano”.

Francisco alertou para o impacto das calamidades naturais no sudeste asiático, de modo particular nas Filipinas e no Vietname, e deixou uma saudação a duas minorias particularmente afetadas por conflitos: o povo Rohingya e os yazidi.

“O sofrimento e o mal não são a última palavra. Resignar-se à violência e à injustiça significaria recusar a alegria e a esperança do Natal”, declarou.

OC

Esta quinta-feira, o Papa enviou uma carta à população do Líbano, com palavras de “conforto e encorajamento”; a 4 de agosto deste ano, uma explosão no porto de Beirute matou mais de 200 pessoas e feriu milhares.

Francisco uniu-se também ao primaz anglicano, Justin Welby, e ao moderador da assembleia geral da Igreja da Escócia, Martin Fair, numa mensagem conjunta enviada aos líderes do Sudão do Sul, na qual confirmam a intenção de visitar o país africano assim que for possível.

 

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