P. Nuno Amador

Cinco verbos conhecidos do verão, para fazermos o essencial de sempre de maneira renovada. Acampar, descansar, arrumar, mergulhar e visitar. Só há um verbo desaconselhado: o verbo reclamar.

Não quero chamar nomes ao verão! Ele apareceu, como habitualmente, sem ser indelicado e não se apresentou com falta de educação. Não foi grosseiro nem malcriado, não tem qualidade inferior ao de outros anos, nem parece ser mau, medíocre, reles ou vil. Até tem sido caloroso no trato (e muito!) como esperamos de um bom verão!

Ainda assim, este verão vai saltar fora da regra. Estão canceladas as saídas para muito longe e as missões em países distantes, não vamos ter muitos campos de férias, e os projetos de verão que envolviam crianças, idosos e muita outra gente serão reduzidos a pequenos apontamentos, ou transferidos para a esfera digital, como fizemos com tanta coisa, ao longo dos últimos meses.

Talvez gostássemos de um verão mais em grande, excecional, com muitos momentos altos que o tornassem inesquecível. Ou ainda mais, de um verão livre de incertezas em relação ao futuro, livre de fragilidades económicas e financeiras como as que estamos a viver, livre de pessoas infetadas, e de muitas mais afetadas, por esta doença que nos atormenta. A necessidade de desconfinar, de abraçar, de socializar, vive ainda cruzada com a obrigatoriedade de darmos passos seguros que não deitem tudo a perder e não ponham todos em risco.

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