A Peregrinação Militar Internacional ao Santuário de Lourdes (França) é um momento marcante para a vida de qualquer militar. O Almirante Fernando Pires da Cunha, representante do Ministro da Defesa, Augusto Santos Silva, a este evento confessou à Agência ECCLESIA que se comoveu durante alguns actos. “Gostei muito. Tocou-me. Várias vezes senti-me comovido durante as cerimónias”.

De 20 a 25 de Maio, militares de vários pontos do globo peregrinaram até ao santuário mariano de Lourdes, cidade situada na base dos Pirenéus que aparece como um traço de união entre a Planície e a montanha. A 11 de Fevereiro de 1858, Nossa Senhora aparece pela primeira vez à jovem Bernadette, na gruta de Massabielle, junto às margens do Rio Gave.

Aos cerca de 600 peregrinos portugueses, o Almirante Pires da Cunha pediu: “espero que voltemos num futuro muito próximo ao santuário de Lourdes”. À Agência ECCLESIA confidenciou que voltará “de certeza absoluta”.

Subordinada ao tema «O sinal da cruz», a Peregrinação Militar Internacional (PMI) foi “um desafio” para o representante do Ministro da Defesa. Tudo começou quando o Almirante Fragoso lhe falou desta caminhada. No entanto, recorda que o pai fez uma PMI há 30 anos.  

Não tinha dados numéricos dos outros anos, mas “ouvi dizer que, este ano, a delegação portuguesa era menor”. Ao avaliar a prestação dos militares portugueses presentes, o Almirante Pires da Cunha reconhece que a delegação “soube honrar a bandeira e participar numa forma activa em todos os actos litúrgicos e nas outras actividades que rodeiam todo este evento internacional”. E adianta: “Fiquei muito agradado pela forma e pela postura com que todos se comportaram e como representaram Portugal nesta peregrinação”.

A cerimónia de abertura na Basílica de Pio X deixou marcas positivas no representante do Ministro da Defesa na peregrinação, mas recorda também a imagem “da senhora descalça que fez a Via-Sacra”. E adianta: “Quer dizer que aquela senhora estava a viver intensamente aquele momento”.

As delegações presentes na PMI levaram as “melhores fardas”. As cerimónias tinham colorido porque os militares “têm orgulho nas suas fardas” e “mostraram um pouco das suas tradições” – disse o Almirante Pires da Cunha. Quando há “vaidade e orgulho na farda”, o representante do Ministro da Defesa sublinha que é “sinal que se gosta da profissão”.

A dimensão espiritual é “algo de importante nas unidades militares”. Em relação ao mundo da Marinha, o almirante Pires da Cunha salienta que os marinheiros são “supersticiosos”. E avança: “Quando temos que vencer o mar e as intempéries deste há sempre Nossa Senhora”. Com muitas horas de mar, o Almirante confessa que as súplicas dão-lhe “conforto interior”. Nossa Senhora do Mar, padroeira dos marinheiros, ajuda nas “decisões difíceis” – frisou. E acrescenta: “Interiormente, fiz a minhas orações para tomar as decisões”.

Apesar dos muitos afazeres, durante as viagens marítimas, existem “sempre momentos silenciosos”. Nesta ausência de ruídos e luzes citadinas, os marinheiros “podem meditar, pensar em si e nas suas famílias”.  E conclui: “São momentos de recolhimento”.

Luis Filipe Santos, na Peregrinação Militar Internacional ao Santuário de Lourdes.

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