Manuel de Lemos pede respostas específicas para estadias temporárias e mudanças definitivas

Foto: Lusa/EPA

Lisboa, 17 mar 2022 (Ecclesia) – O presidente da União das Misericórdias Portuguesas (UMP) destacou à Agência ECCLESIA a “preocupação” das Santas Casas de todo o país em acolher cidadãos da Ucrânia, no seguimento da invasão da Rússia a este país.

“O primeiro momento é de grande preocupação com as pessoas. As Misericórdias existem por causa das pessoas”, referiu Manuel de Lemos.

O responsável destacou que o setor solidário foi o “primeiro a reagir”.

“A resposta das Misericórdias só poderia ser ajudar, dar pousada a estes peregrinos dos tempos modernos e acolhê-los”, assinalou o presidente da UMP.

Em entrevista emitida hoje no Programa ECCLESIA (RTP2), Manuel de Lemos indicou o apelo humanitário que decorreu no âmbito do desafio lançado pelo Governo às Misericórdias, pedindo que se mobilizem para esta operação de emergência.

“O nosso primeiro trabalho foi sensibilizar, em estreita articulação com o Governo, todas as Misericórdia para perceber quem pode acolher e de que forma”, explicou, acrescentando que houve uma resposta “muito rápida e muito consistente” aos pedidos de ajuda.

A guerra na Ucrânia provocou um número ainda por determinar de mortos e feridos, entre militares e civis, bem como mais de três milhões de refugiados.

A incerteza quanto à evolução do cenário de guerra condiciona também a resposta solidária, embora Manuel de Lemos admita que alguns refugiados possam ficar em Portugal “definitivamente”.

“Temos de preparar-nos para dois tipos de resposta: uma temporária, para aqueles que estão aqui até poder regressar à sua terra natal; e outra, para muitos – pela sensibilidade que temos tido – que não querem voltar, porque a tragédia foi tão grande”, prosseguiu.

O presidente da UMP realçou a importância da articulação a nível da União Europeia, para respostas “concertadas” nesta crise.

A nível nacional, Manuel de Lemos fala de um país ainda a braços com o impacto da pandemia, sublinhando a capacidade de adaptação das Misericórdias, que ajudaram a salvar “muitas vidas”, perante a crise da Covid-19.

“Isto exige que o Estado olhe para nós, porque este esforço de generosidade tem uma tradução financeira, naturalmente”, apontou.

390 pessoas que fugiram da guerra na Ucrânia estáo a caminho de Portugal, no âmbito da “Missão Ucrânia”.

“Uma iniciativa de empresários e particulares, que chocados com o que se está a passar naquele país, se juntaram várias organizações como a Cruz Vermelha, a União das Misericórdias e a Ordem dos Médicos”, precisa a Rádio Renascença.

HM/OC

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