Presidente ucraniano denunciou «crimes horríveis» da guerra, com acusações à Rússia

Cidade do Vaticano, 12 ago 2022 (Ecclesia) – O presidente da Ucrânia conversou hoje com o Papa Francisco sobre a situação no país, denunciando “crimes horríveis” cometidos pela Rússia.

“Conversei com o Papa e informei-o sobre a agressão da Federação Russa contra a Ucrânia e os seus crimes horríveis. Estou grato ao pontífice pelas suas orações pela Ucrânia”, escreveu Zelesnky, numa mensagem divulgada através da rede social Twitter.

“O nosso povo precisa do apoio dos líderes espirituais do mundo, que devem transmitir ao mundo a verdade sobre os atos de horror cometidos pelo agressor na Ucrânia”, acrescentou.

O portal de notícias do Vaticano refere que a conversa telefónica “se insere no contexto da solidariedade manifestada várias vezes por Francisco a todo o povo ucraniano”.

A 6 de agosto, o Papa recebeu em audiência o embaixador da Ucrânia junto da Santa Sé, Andrii Yurash.

“A Ucrânia espera pelo Papa há muitos anos e, especialmente, desde o início da guerra. Ficará feliz por recebê-lo antes da sua viagem ao Cazaquistão”, escreveu o diplomata, na sua conta do Twitter.

Um dia antes, Francisco tinha recebido no Vaticano o responsável pelo Departamento das Relações Externas do Patriarcado de Moscovo, metropolita António.

O portal de notícias do Vaticano destacou que o encontro “parte dos contactos ecuménicos entre o Papa e o Patriarcado de Moscovo”, recordando o encontro, por via digital, entre Francisco e Cirilo, o líder da Igreja Ortodoxa da Rússia, a 16 de março, em que se abordou a atual guerra na Ucrânia.

O Departamento das Relações Externas do Patriarcado de Moscovo publicou uma nota, após o encontro, informando que em cima da mesa estiveram “inúmeros assuntos da agenda das relações ortodoxo-católicas, inclusive no contexto dos processos políticos que ocorrem no mundo”.

Em julho, Francisco reafirmou a vontade de visitar a capital da Rússia e da Ucrânia, respetivamente Moscovo e Kiev, para “servir a causa da paz”.

“Eu gostaria de ir à Ucrânia e queria ir primeiro a Moscovo. Trocamos mensagens sobre isso, porque pensei que se o presidente russo me concedesse uma pequena janela para servir a causa da paz”, disse o Papa numa entrevista à Agência de notícias Reuters.

No início de maio, o Papa mostrou-se disponível para um encontro com o presidente russo, a fim de abordar a guerra na Ucrânia, mas Moscovo viria a rejeitar esta possibilidade, com o Vaticano a reafirmar a vontade do Papa em deslocar-se à capital russa.

Francisco vai estar no Cazaquistão, de 13 a 15 de setembro, para participar no VII Congresso de Líderes de Religiões Mundiais e Tradicionais.

D. Paul Richard Gallagher apontou, em julho, a um possível encontro entre o Papa e Cirilo, durante este evento.

“Acredito que, se o patriarca e o Santo Padre viajarem ao Cazaquistão para esta grande conferência das religiões mundiais, sim, haverá um encontro. Temos de tentar superar as dificuldades e incompreensões para a unidade da Igreja”, indicou.

Já esta semana, o Secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin concedeu uma entrevista à revista italiana ‘Limes’, abordando a possibilidade de uma viagem do Papa Francisco ao leste europeu, para sublinhar que a visita esta condicionado à possibilidade de obter “benefícios concretos “.

A viagem a Kiev e Moscovo, acrescentou, precisa de “condições que sejam verdadeiramente úteis para a paz”, admitindo que o diálogo com a Rússia é “difícil, e prossegue em pequenos passos, com fases alternadas de altos e baixos”, mas “não foi interrompido”.

OC

 

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