Presidente do Centro de Estudos EuroDefense Portugal afirma o conflito é colocado «num segundo plano na opinião pública»
Lisboa, 23 fev 2026 (Ecclesia) – O presidente do Centro de Estudos EuroDefense Portugal afirma que “todo o diálogo é útil”, nas vésperas do quarto aniversário da invasão da Rússia à Ucrânia, e lamenta que esta guerra vá sendo “colocada num segundo plano na opinião pública”.
“Certamente para o presidente ucraniano, mas mais do que isso, para a Ucrânia, deve haver, neste momento, um grande sentimento de injustiça e até de perplexidade. Depois destes quatro anos de luta muito heroica, muito inteligente, muito bem conduzida a favor dos valores que são os nossos”, disse o general Luís Valença Pinto, esta segunda-feira, dia 23 de fevereiro, em entrevista à Agência ECCLESIA.
O início do conflito no leste europeu aconteceu a 24 de fevereiro de 2022, há quatro anos, quando a Rússia invadiu a Ucrânia e começou uma guerra que “vai sendo, cada vez mais, colocada num segundo plano na opinião pública”, outras guerras como na Faixa de Gaza, na Palestina “vieram também retirar a Ucrânia da primeira linha”.
“Há aqui um certo desequilíbrio, uma certa diferença que não sabemos muito bem onde é que vai ter, mas sem dúvida que a Ucrânia hoje passou para um segundo plano.”
O presidente do Centro de Estudos EuroDefense Portugal explica que “não é tanto assim no quadro das responsabilidades europeias”, e observa que tem “assistido com satisfação”, do ponto de vista de se identificar com esses modelos, à “postura muito afirmativa dos dirigentes da União Europeia”, da presidente da Comissão, do presidente do Conselho Europeu, “quer as próprias conclusões dos Conselhos Europeus quando têm acontecido”.
Na entrevista gravada quando decorriam as mais recentes negociações para o fim da guerra, um encontro entre a Ucrânia e a Rússia, mediado pelos Estados Unidos da América, nos dias 17 e 18 de fevereiro, o general Luís Valença Pinto afirmou que “todo o diálogo é útil, mesmo que seja um diálogo aparentemente com um surdo”.
“Os ingredientes da paz estão em Moscovo, por via de uma eventual alteração da posição russa. É isso que se tem visto nas negociações. A posição russa não é, na minha leitura, de todo, convincente quanto ao desejo da Rússia de estabelecer a paz”, acrescentou.

O antigo chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas de Portugal considera que, neste momento, “infelizmente, não há condições para eleições na Ucrânia”, que já se justifica pelo calendário, “mas está a ser impedida pela própria guerra”.
Este domingo, o Papa Leão XIV exigiu que “as armas se calem” na Ucrânia, um apelo que renovou “com veemência”: “Que cessem os bombardeamentos. Que se chegue sem demora a um cessar-fogo e se reforce o diálogo para abrir caminho à paz”.
O presidente do Centro de Estudos EuroDefense Portugal analisa “de uma forma muito positiva” a atuação dos dois últimos Papas sobre este assunto, Francisco e Leão XIV, que “foram sempre muito vocais na procura da paz, do diálogo”, e chamaram à Ucrânia, “a martirizada ucrânia”.
“Sempre foram também muito vocais e até muito ativos em medidas de solidariedade, foram também muito empenhados em questões como a troca de prisioneiros, questões como tentar reparar esse crime horrendo que só tenho paralelo no terceiro Reich, que foi o rapto das crianças ucranianas e o seu transporte para a Rússia, esse tipo de questões têm estado sempre presentes”, desenvolveu, no Programa ECCLESIA, transmitido hoje, na RTP2.
Segundo o entrevistado, o povo ucraniano não esquece os antecedentes deste guerra, desde 2014, “como também não esquece o Holodomor” (a grande fome de 1932-33, durante o regime soviético).
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