José Manuel Pimenta, do departamento de Turismo do Patriarcado de Lisboa, encara turismo como «oportunidade» e enaltece parcerias com entidades civis na salvaguarda e conhecimento do património

Foto Agência ECCLESIA/PR, José Manuel Pimenta

Lisboa, 21 set 2019 (Ecclesia) – O departamento de Turismo do Patriarcado de Lisboa quer valorizar a crescente procura do património religioso na capital, impulsionado pelo aumento turístico que, acredita, será uma “boa oportunidade” para a Igreja.

“As principais igrejas da cidade de Lisboa têm de estar disponíveis para a fruição de todos, sem exceção. O génio humano ganha forma na sua expressão artística e esta mensagem não pode ser escondida”, sublinha à Agência ECCLESIA José Manuel Pimenta, do departamento do Turismo do Patriarcado de Lisboa.

“Não pode haver barreiras a quem quer entrar numa igreja e deseja sair dela mais rico espiritualmente e pessoalmente”, sublinha o responsável.

O departamento tem a preocupação de formar e abrir as igrejas, orientando um “olhar atento” para o espaço, investindo, em parecia com a Universidade Católica, na formação de guias-interpretes que possam estar capacitados para acolher quem procura o espaço religioso.

O diferencial para convidar a visitar o património religioso passa por procurar “ter igrejas atentas em zonas fantásticas da cidade”.

“Na zona de Alfama ou da Mouraria, percorridas por centenas de pessoas diariamente, está a igreja de São Miguel, que conserva o esplendor do barroco, ou a igreja do Socorro que dispõe de uma extraordinária imagem de Nossa Senhora, e estão ambas fechadas ao público”, lamenta.

No entanto José Manuel Pimenta reconhece que muitas paróquias não estão dotadas de formação e disponibilidade de tempo, bem como fatores de segurança, para manter os espaços abertos ao público.

O responsável acredita que a afluência turística que Portugal conhece é uma oportunidade para “cuidar do acolhimento, nas igrejas e nos museus, mas também no acompanhamento de quem os visita, esclarecendo sobre os locais que se está a visitar”.

“As igrejas são caminhos de beleza para uma experiência de fé que pode levar outros que não creem a fazer”, suscita.

A oferta de roteiros e as parcerias que se têm estabelecido com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, como é exemplo os «Itinerários da fé», na Baixa da cidade, permitem “conhecer os edifícios no seu contexto” e valorizar o trabalho que o Patriarcado de Lisboa tem feito nesta área.

“As grandes cidades portuguesas acolhem diariamente centenas de turistas que procuram o melhor do nosso país e o património religioso procura inserir-nesta nesta dinâmica crescente”, acrescenta.

Lisboa acolhe nestes dias a Trienal de arquitetura onde se insere uma iniciativa para conhecer edifícios, alguns religiosos, onde se cruza a visita ao património mas também a oferta de concertos

“O turismo do Patriarcado tem a perceção de que quem chega querer conhecer mais e melhor o património religioso. Temos procurado operacionalizar o que o Papa Francisco pediu, na exortação apostólica «Evangelii gaudium», o sonho missionário de chegar a todos, diretiva do sínodo diocesano de 2016”, explica.

O responsável dá conta de uma nova edição do Open Conventos neste ano e apresenta ainda os projetos delineados para responder ao fluxo de jovens que estrarão na capital portuguesa em julho de 2022, para a Jornada Mundial da Juventude.

A entrevista a José Manuel Pimenta está no centro do programa Ecclesia desta domingo, na Antena 1, às 6 horas.

LS

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