«Caminhos de Futuro» e exemplos práticos marcam encerramento das VI jornadas pastorais

Almada, 14 fev 2026 (Ecclesia) – O investigador João Ferrão alertou hoje, em Almada, para o risco de o turismo religioso perder a sua identidade própria, defendendo que este setor deve responder ao atual “deslaçamento social” com uma proposta “compassiva”.
“O turismo religioso é, cada vez mais, visto em simultâneo como uma experiência religiosa, transcendental e cognitiva”, afirmou o professor catedrático do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, durante o painel de encerramento das VI Jornadas Nacionais da Pastoral do Turismo.
Na conferência ‘Caminhos de Futuro’, o convidado advertiu contra uma possível “desdiferenciação excessiva” em relação a outros produtos turísticos, sublinhando que a Igreja deve preservar “o valor singular de um turismo religioso plural”.
Para João Ferrão, a resposta aos desafios contemporâneos passa por “aprofundar o nexo eficiência valorativa-respeito pelo sagrado-altruísmo-sustentabilidade”, mas com uma condição clara: os valores e o sagrado devem estar “sob o comando”.
O académico sustentou que, num tempo marcado pela fragmentação dos laços comunitários, é urgente “desenvolver modalidades práticas e compassivas de turismo religioso”, que funcionem como antídoto ao isolamento.
Esta visão foi corroborada pelo padre Miguel Neto, diretor da Pastoral do Turismo – Portugal (PTP), que na sessão de encerramento rejeitou a transformação da estrutura eclesial numa agência de viagens.
“A pastoral do turismo é para evangelizar o setor e para, através do turismo, mostrar os seus valores cristãos”, declarou o sacerdote, frisando que o objetivo não é apenas “organizar programações a Roma ou a Fátima”, mas “dar valor cristão ao mundo”.

O painel final contou ainda com a intervenção de Carlos Costa, presidente da Plataforma Nacional de Turismo, que apelou à criação de “novos modelos” de gestão.
“A cultura é um recurso turístico”, lembrou o responsável, defendendo a integração da digitalização na construção de destinos que sejam “regenerativos” para as comunidades locais.
Os trabalhos encerraram com a intervenção de D. Manuel Quintas, bispo do Algarve, que sintetizou os dois dias de encontro nas palavras “atualidade, oportunidade e qualidade”.
O vogal da Comissão Episcopal da Pastoral Social destacou a necessidade de oferecer “autenticidade” a quem visita o país, lamentando que muitas regiões, como o Algarve, ainda sejam procuradas quase exclusivamente pelo “sol e praia”, ignorando a riqueza do silêncio e do património.
As VI Jornadas Nacionais decorreram no Santuário de Cristo Rei, focadas na promoção da “amizade social” e no combate à superficialidade na comunicação do património religioso.
OC
