Responsável do Movimento do Apostolado de Adolescentes e Crianças (MAAC) apela a sensibilização e fiscalização no combate a este drama, que também existe em Portugal

 

Setúbal, 20 jan 2021 (Ecclesia) – Liliana Freire, do Movimento do Apostolado de Adolescentes e Crianças (MAAC), alertou para a existência do trabalho infantil em Portugal, considerando necessária “a fiscalização e a denúncia” desta situação.

“Em Portugal não podemos dizer que não há trabalho infantil: embora não seja visível, a verdade é que existe e em diversas formas”, denuncia, em declarações à Agência ECCLESIA emitidas hoje na RTP2.

A jovem da Diocese de Setúbal aponta exemplos na “restauração ou a construção civil, onde se encontram crianças a trabalhar”, mas também entre os imigrantes, sobretudo quando as famílias não estão regularizadas e as crianças ficam “mais suscetíveis a trabalho infantil”. 

“Também podemos encontrar o trabalho infantil no mundo do espetáculo, da televisão, da moda, e há que ter atenção se os seus direitos estão a ser respeitados”, aponta.

Por proposta das Nações Unidas o ano 2021 é assinalado como o Ano Internacional para a Eliminação do Trabalho Infantil e Liliana Freire, do MAAC, entende que a iniciativa pode trazer mais sensibilização e as necessárias denúncias.

“Podemos estar atentos as situações de carência e pobreza, o que pode levar as crianças a esta situação, temos de denunciar, não ver e estar em silêncio; tem de haver mais fiscalização e que possam aplicar as leis que já existem”, sustenta.

Liliana Freire pede um maior incentivo ao “não abandono escolar”, para que os menores se mantenham na escola, “local onde têm proteção social”. 

No MAAC, movimento da Igreja Católica que privilegia a presença junto de “crianças que têm mais carências”, a entrevistada destaca as ações de sensibilização que promovem mas, também, a estreita ligação com o movimento ao nível internacional que traz “testemunhos tão diferentes” para que possam conhecer bem a realidade.  

“É nos meios mais carenciados que as crianças estão mais vulneráveis ao trabalho infantil” e o MAAC tem trabalhado para que “os direitos sejam conhecidos, divulgados e respeitados”, insiste.

“É importante estar atentos e fazer ações de divulgação sobre os direitos das crianças e as formas de exploração que existem para que, a longo prazo haja a diminuição ou o fim do trabalho infantil”, conclui Liliana Freire.

Em 2020, o Papa Francisco associou-se à celebração do Dia Mundial contra o trabalho infantil com uma mensagem na sua conta no Twitter, com o hashtag (marcador) ‘#NoChildLabourDay’.

As estimativas globais contabilizam que 152 milhões de crianças – 64 milhões de meninas e 88 milhões de rapazes – estão em situação de trabalho infantil, quase uma em cada dez crianças em todo o mundo, um número que diminuiu em 94 milhões desde 2000.

A taxa de redução, no entanto, abrandou em dois terços nos últimos quatro, indica o relatório ‘Ending Child Labour by 2025’, da Organização Internacional do Trabalho.

PR/SN

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