Timor-Leste: País despediu-se de um «herói nacional»

Funeral do padre João Felgueiras foi presidido pelo arcebispo de Díli e contou com a presença do padre Manuel Morujão, da Província Portuguesa da Companhia de Jesus

Foto Ponto SJ, Padre Manuel Morujão, no funeral do padre João Felgueiras

Díli, 07 jul 2026 (Ecclesia) – O arcebispo de Díli presidiu hoje ao funeral do padre João Felgueiras, falecido no dia 3 de julho, na capital timorense, com 105 anos, reconhecido oficialmente como um “herói nacional”.

Presente no funeral, o primeiro-ministro do país, Xanana declarou o padre João Felgueiras “herói nacional da Pátria de Timor-Leste”, pelo que fez pelo povo timorense, nomeadamente durante a ocupação indonésia.

No final da celebração, o padre Manuel Morujão, que participou no funeral em nome da Província Portuguesa da Companhia de Jesus e foi companheiro e amigo jesuíta, disse que o padre Felgueiras “não suportou as diferenças culturais de costumes e línguas, como um desterrado”; mas “amou-as”.

“Amou sobretudo o povo a que foi enviado em missão de levar a boa nova de Jesus”, afirmou o padre Manuel Morujão, citado pelo portal Ponto SJ.

Para o cardeal D. Virgílio Carmo da Silva, o padre João Felgueiras escolheu Timor-Leste “para ficar”, após ter chegado em 1971, referindo que “ele escolheu Timor como sua casa”.

De acordo o portal Ponto SJ, o arcebispo de Díli afirmou que a Igreja Católica e o povo timorense estão de luto por terem perdido “um santo líder, um pai amoroso e um coração grande para o povo e para a Igreja de Timor”.

“A melhor forma de honrarmos o padre João é continuarmos a manter vivo o seu legado espiritual e missionário e a fazer com que as suas palavras e o seu exemplo permaneçam nos nossos corações”, afirmou.

“Os seus sinais permanecem gravados na nossa terra. O rasto das suas bênçãos permanece, e a sua palavra de ontem será a nossa luz de amanhã”.

Na Missa de corpo presente, o presidente da República de Timor-Leste, José Ramos-Horta, entregou a condecoração com que o Estado Timorense distingue, a título póstumo, o padre João Felgueiras com a Ordem de Laran Luak, em reconhecimento pelo seu contributo para a luta de libertação nacional e pelo apoio prestado ao povo timorense.

Missionário em Timor-Leste desde 1971, o padre João Felgueiras é natural das Caldas das Taipas, no concelho de Guimarães, e entrou na Companhia de Jesus em 1954.

Após os estudos de Filosofia em Braga e Teologia em Burgos, em Espanha, foi ordenado sacerdote a 30 de julho de 1950, em Oña, em Espanha.

Nos primeiros anos de sacerdotes, o padre João Felgueiras trabalhou em Braga, com a juventude, e em Lisboa, onde foi professor e diretor espiritual dos alunos no Colégio S. João de Brito; entre 1962 e 1967, foi reitor do Colégio Apostólico da Imaculada Conceição, em Cernache.

No dia 22 de janeiro de 1971 partiu para Timor-Leste, onde dedicou o seu trabalho missionário à promoção da língua portuguesa entre os timorenses e ao apoio da população durante a ocupação indonésia, acompanhando de perto as vítimas do massacre de Santa Cruz, a 12 de novembro de 1991.

O missionário jesuíta foi condecorado em 2002 pelo presidente da República Jorge Sampaio como Grande Oficial da Ordem da Liberdade; em 2016 chefe de Estado timorense Taur Matan Ruak com a insígnia da Ordem de Timor-Leste; e em 2022 por Marcelo Rebelo de Sousa com a Grã-Cruz da Ordem de Camões.

Em setembro de 2024, por ocasião da visita a Díli, o Papa Francisco saudou o padre João Felgueiras durante o habitual encontro com os membros da Companhia de Jesus, que fazia parte do programa das viagens apostólicas internacionais.

PR

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