Cardeal Pierbattista Pizzaballa aborda impacto dos ataques de 7 de outubro de 2023 e a subsequente devastação na região

Jerusalém, 28 abr 2026 (Ecclesia) – O patriarca Latino de Jerusalém denunciou o fracasso da comunidade internacional perante a guerra em Gaza e apelou aos cristãos para serem construtores de reconciliação no epicentro do conflito.
“A guerra tornou-se o objeto de um culto idolátrico: já não nos sentamos à mesa para evitar o conflito, mas antes consideramos a guerra um desfecho possível, ou mesmo inevitável”, escreve o cardeal Pierbattista Pizzaballa, numa carta intitulada ‘«Voltaram para Jerusalém com grande alegria’, que vai ser publicada pelo Vaticano.
O responsável católico aborda o impacto dos ataques de 7 de outubro de 2023, contra o sul de Israel, e a subsequente devastação na região, sublinhando que a atual crise militar e política exige uma resposta assertiva dos crentes.
“O que estamos a viver não é apenas um conflito local. O conflito local é o sintoma de uma crise muito mais profunda, uma mudança de paradigma global”, indica.
A missiva alerta para apassividade perante o sofrimento civil e exige que a comunidade eclesial combata a lógica da exclusão, da desumanização do outro e da polarização identitária.
A nossa existência cristã deve tornar-se um testemunho de um estilo de vida particular, mesmo no meio do conflito, e deve encontrar expressão visível e reconhecível naquilo que dizemos e fazemos.”

O documento reflete sobre a vocação universal de Jerusalém, Cidade Santa para várias religiões.
“A Igreja de Jerusalém, pequena e resiliente, encontra-se a viver aqui e agora o caminho da Jerusalém celestial: sendo um lugar de acolhimento, uma luz pascal que ilumina as trevas do ressentimento; sendo uma casa de portas abertas, um instrumento de cura no mundo”, pode ler-se.
O cardeal Pizzaballa sublinha o papel fundamental das escolas, hospitais e instituições sociais cristãs como espaços reais de coexistência entre judeus, cristãos e muçulmanos, onde o diálogo ganha forma no quotidiano.
“É a coragem do perdão que constitui o remédio mais poderoso, capaz de trazer a cura, e é também o testemunho mais autêntico que a nossa comunidade pode oferecer aos povos desta Terra”, sustenta o patriarca latino de Jerusalém.
A carta pastoral conclui com um apelo direto aos cristãos para permanecerem na Terra Santa e assumirem a responsabilidade política e social na construção da paz.
OC
