Lisboa, 03 jul 2015 (Ecclesia) – A revista «Communio» dedica a sua mais recente edição ao tema ‘Literatura e espiritualidade’ com o desafio de analisar o seu “grande poder” de interpelação como “realidade histórica ou expressão atual”.

“Pensar um número sobre ‘Literatura e Espiritualidade’ pode equivaler a abrir uma caixa de Pandora. Correm-se vários riscos: da dispersão de temas, géneros, épocas e autores, à subordinação a critérios de escolha demasiado académicos ou espiritualmente desencarnados”, revela o artigo de apresentação da revista internacional católica.

No primeiro artigo "Quando o Novo Testamento cita os poetas (At 17,28). Um mapa para o presente", o padre biblista José Tolentino Mendonça lembra que a literatura tem sido “uma aliada na busca de Deus”, centrando-se no discurso de Paulo em Atenas, destaca “alguns tópicos que permitem relacionar teologia e literatura”.

Em ‘A Bíblia como literatura’, José Augusto Ramos, professor catedrático da Universidade de Lisboa, mostra como do Génesis ao livro do Apocalipse o livro sagrado “se molda num antologia literária e numa escrita essencial”.

Depois Manuel António Ribeiro, doutorado em Literatura Portuguesa, no texto ‘Reconfigurações de Deus  na literatura moderna’ considera que hoje é “pouco comum” a classificação de escritores como “cristãos”.

Alfredo Teixeira, do Centro de Estudos de Religiões e Culturas (CERC) da Universidade Católica Portuguesa revisita José Augusto Mourão, padre da Ordem dos Pregadores, falecido a 5 de maio de 2011, destaca a originalidade da sua poesia e valoriza o “dizer que explicitamente invoca e nomeia a divindade”.

No texto ‘Do divino celebrado no terrestre’, a professora aposentada de literatura e poetisa Maria Andresen Sousa Tavares recorda traços “constantes” na escrita da sua mãe, a poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen, como “espanto, a inquietação e a procura” a partir de manuscritos em textos “inéditos” que considera “lapidar” porque retomam ao início desta poesia.

O percurso do bispo de Hipona (354-430) na procura pela verdade é a reflexão da presidente do Centro Cultural de Lisboa Pedro Hispano, Isabel Alçada Cardoso, em ‘Sabedoria e eloquência em Santo Agostinho’.

O historiador José Eduardo Franco apresenta notas para a compreensão da teologia espiritual do padre António Vieira (1608-1697), que é “essencialmente cristológica e orientada para a ação”.

Em ‘Da voz à palavra pelo silêncio. Dos textos ao encontro do outro, em escuta’, o sacerdote Aires Nascimento, da Sociedade Missionária Boa Nova, assinala num percurso histórico que “há vozes mais marcadas que outras” e alerta para “os momentos” em que é preciso “suster a própria voz” e “atender” ao silêncio.

O padre José Tolentino Mendonça aparece mais uma vez, desta vez na análise que Maria José Vaz Pinto faz da sua poesia onde a professora aposentada de filosofia descobre o “Deus implícito”.

‘Porque leio um romance’ é o depoimento de José Maria Seabra Duque, do Movimento Comunhão e Libertação, que revela que um grande livro “educa e faz crescer”, como o “O Senhor dos Anéis" e desenvolve a sua experiência em três pontos.

Na ‘Recensão" é apresentada a norte-americana Flannery O’Connor (1925-1964) e o britânico G.K. Chesterton, respetivamente por Isabel Alves, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, e Maria do Rosário Lupi Bello, da Universidade Aberta.

Na seção “Perspectivas”, o especialista em estudos árabes e coptas Adel Sidarus comenta a “situação dramática” dos cristãos no Médio Oriente.

CB

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