Tempestade Kristin: Papel da Cáritas de Leiria-Fátima integra o «modelo de resposta» às populações afetadas, afirma relatório da Provedoria de Justiça

Documento refere o «papel particularmente relevante» da instituição diocesana

Foto: Agência ECCLESIA/HM

Lisboa, 24 ago 2026 (Ecclesia) – A Provedoria de Justiça divulgou na última semana o relatório “Tempestade Kristin: Balanço dos apoios à reconstrução das habitações”, onde refere o “papel particularmente relevante” da Cáritas Diocesana de Leiria, que integrou o “modelo de resposta” às populações afetadas.

No relatório, o provedor de Justiça refere a criação do Fundo de Emergência Social (FES) poucos dias após a catástrofe “financiado por uma campanha de angariação de donativos de mais de 2.400.000€”, que permitiu uma “relevante na resposta às necessidades das populações afetadas”

“A intervenção desta entidade acabou por integrar o modelo de resposta desenvolvido na sequência da tempestade, funcionando como um mecanismo complementar dos regimes públicos de apoio à reconstrução das habitações, permitindo responder a situações que, pela sua natureza ou circunstâncias, não encontravam enquadramento adequado ou suficiente nas medidas públicas existentes”, refere o relatório.

Divulgado no dia 19 de agosto, Dia Mundial da Ajuda Humanitária, o relatório afirma que “a experiência da Cáritas Diocesana de Leiria-Fátima constitui um exemplo relevante de um modelo alternativo de governação e controlo dos apoios”.

O provedor de justiça valoriza o regulamento interno do FES pelo bispo de Leiria-Fátima, no dia 2 de de fevereiro de 2026, onde se definem “os respetivos objetivos, os beneficiários elegíveis, as despesas suscetíveis de financiamento, os critérios de decisão e os mecanismos de controlo e transparência aplicáveis”, referindo também o facto da atribuição dos apoios ser confiada a “uma comissão externa composta por sete elementos, integrando representantes da própria instituição e personalidades da sociedade civil”, com o planeamento de “auditorias independentes ao Fundo, com vista a assegurar a transparência na gestão dos donativos”.

No relatório do provedor de Justiça, refere-se a “natureza complementar relativamente às indemnizações pagas pelas seguradoras e aos apoios públicos atribuídos pelo Estado” do FES, e o facto das verbas não serem “entregues aos beneficiários”, mas, “em regra, pagos diretamente aos fornecedores ou empreiteiros responsáveis pelas obras”, reduzindo “o risco de utilização indevida dos fundos” e assegurando “que os montantes atribuídos são efetivamente aplicados na recuperação das habitações”.

Num comunicado enviado hoje à Agência ECCLESIA, a Cáritas Diocesana de Leiria-Fátima o reconhecimento do provedor de Justiça é “o reflexo da confiança que milhares de doadores depositaram em nós desde os primeiros dias da tempestade”.

“Quisemos, desde sempre, honrar essa confiança com rigor e transparência na gestão de cada donativo. Ver este trabalho validado por um órgão independente como o Provedor de Justiça é, para toda a nossa equipa e para os muitos voluntários que connosco colaboraram, um sinal de que o caminho que escolhemos foi o correto — e um incentivo para continuarmos ao lado das famílias que ainda hoje enfrentam as consequências desta catástrofe”, afirmou Ana Isabel Mota, presidente da Direção da Cáritas Diocesana de Leiria-Fátima, em declarações enviadas à Agência ECCLESIA.

No dia 28 de julho, a Cáritas Diocesana de Leiria-Fátima divulgou o Relatório de Acompanhamento e Prestação de Contas do Fundo de Emergência Social referente aos primeiros seis meses de atividade, indicando a aprovação de 505 988,86 euros em apoios, beneficiando diretamente 122 pessoas.

PR

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