Tempestade Kristin: «Há processos que fazem as pessoas perder a paciência», afirmou D. José Ornelas sobre as ajudas à reconstrução

Bispo de Leiria-Fátima valorizou as ajudas de todo o país e o esforço dos empresários

Foto Agência ECCLESIA/PR, D. José Ornelas, conferência de imprensa na peregrinação de 12 e 13 de maio

Fátima, 12 mai 2026 (Ecclesia) – O bispo de Leiria-Fátima afirmou hoje que os empresários da região estão a fazer um “esforço muito grande” para retomar a atividade, após as consequências da tempestade Kristin, e denunciou processos de ajuda que fazem “perder a paciência”.

“Algo já foi feito, mas há processos que fazem as pessoas perder a paciência… E não só a paciência. Há instituições que estão a adiantar meios que, eventualmente, no futuro poderão ser restituídos, porque as pessoas têm a necessidade de viver”, afirmou D. José Ornelas na conferência de imprensa de apresentação da Peregrinação Internacional Aniversária de Maio ao Santuário de Fátima.

Questionado sobre a demora na reconstrução do que a tempestade Kristin destruiu, o bispo de Leiria-Fátima afirmou a necessidade de repor a normalidade nas estruturas da região, “seja para os organismos locais, para as autarquias, para as empresas”.

“Nós precisamos de um sistema mais claro e mais efetivo para chegar às pessoas e às suas necessidades”, sublinhou.

O bispo de Leiria-Fátima valorizou o empenho das empresas em retomar a atividade, “para evitar o pior que se temia, que era um desemprego generalizado”, lembrando que a tempestade chegou quando estavam a terminar de pagar investimentos após os incêndios de 2017.

“Há gente com coragem! E eu quero deixar uma palavra de reconhecimento pela coragem dos empreendedores”, afirmou, valorizando o contributo dos empresários no relançamento da economia na região e reclamando “mais apoio” e “um apoio atempado”.

O bispo de Leiria-Fátima lembrou que a o “vendaval chegou para todos nesta região do país”, com consequências em todas os locais e em todas as pessoas, acrescentando que também chegou o “vento de solidariedade”.

“Chegou uma grandíssima vaga, um vento de solidariedade! Essa não vem numa única direção, mas foi originada de todo o país e não só do país, mas também do estrangeiro”, referiu.

Durante a conferência de imprensa, no início de Peregrinação Internacional Aniversária de 12 e 13 de maio, o reitor do santuário lembrou que o recinto sofreu danos patrimoniais e naturais no final de janeiro devido à passagem da tempestade Kristin, o que obrigou a uma intervenção estrutural focada na rearborização e na melhoria das acessibilidades, explicou o sacerdote.

“Fizemos a reposição completa dos pavimentos de calçada, em vez da mera reparação, para evitar desnivelamentos; melhoramos a iluminação nas áreas intervencionadas; temos em curso a reformulação das rampas de acesso para pessoas com mobilidade reduzida”, elencou o padre Carlos Cabecinhas.

A Cáritas Diocesana de Leiria-Fátima, para além das ajudas imediatas que disponibilizou às pessoas afetadas, recolheu fundos para apoiar na reconstrução no valor de 2,3 milhões de euros, mas assume que “os apoios financeiros ainda não atingiram a dimensão prevista” devido a “constrangimentos” externos, referiu a instituição no final de abril.

O fundo diocesano tem uma função complementar, pelo que a Cáritas se encontra com vários processos suspensos ou em análise enquanto aguarda o pagamento das seguradoras e a validação dos apoios do Estado geridos pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR).

PR

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