Instituição está atenta aos locais «onde os católicos são minoritários, discriminados ou sofrem por causa dos conflitos armados»

Lisboa, 01 ago 2019 (Ecclesia) – A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) apoia “mais de 40 projetos de verão” em países onde os católicos são “minoria, discriminados ou sofrem” por causa da guerra, “mais de metade” no Médio Oriente, sobretudo na Síria.

Na nota enviada hoje à Agência ECCLESIA, o secretariado português da AIS informa que “cerca de 28 campos de verão para jovens e famílias” vão ter lugar na Síria que vive um conflito armado há oito anos.

“Depois de uma guerra fratricida que provocou uma dramática situação socioeconómica, os cristãos de várias denominações pertencentes às Dioceses de Homs, Alepo, Lataquia e Damasco, reúnem-se de junho a setembro para retemperar as forças e sanar as feridas”, desenvolve.

O padre Antoine Mukhallala, da Igreja Greco-Melquita de Alepo, no regresso de um dos oito cursos de verão organizados pela Comunidade Fé e Luz destacou a história de uma viúva que tem dois filhos menores e um é autista.

“Apesar da sua presença e participação no grupo, poucas vezes falava sobre o seu marido falecido ou sobre a sua filha. Recusava todas as formas de alegria apesar dos esforços de muitas pessoas que tudo faziam para a tirar da sua dor. […] A mulher voltou a aprender que a vida é bonita graças à mudança que detetou no comportamento da sua filha autista que, inclusive, a convidou para dançar com ela”, recordou.

Neste contexto, recordou ainda que no final do campo de férias esta mãe disse que “se o campo de férias tivesse demorado mais uma semana” tinha “a certeza absoluta que a Jenny teria começado a falar”.

O padre Antoine Mukhallala explica que esta mulher “sofreu muito e vivia numa profunda solidão” porque o marido foi assassinado quando “tentava embarcar nos ‘barcos da morte’ para a Europa” e “recebeu o corpo do marido degolado”.

“Participei em muitos acampamentos de verão durante os meus sete anos de sacerdote, mas o último, foi um dos mais bonitos onde experimentei a alegria do amor, com o grupo ‘Família da Esperança’, em Kfarsetta”, afirmou o padre Greco-Melquita de Alepo.

A fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre – ACN (designação internacional) – salienta que “muitas outras crianças, jovens e famílias podem usufruir” neste verão de um campo de férias onde “é possível fortalecer-se, não apenas física e psicologicamente, mas também espiritualmente”, para além da Síria também no Egipto, na Jordânia, na Palestina, no Líbano, na Crimeia ou na República Democrática do Congo.

“Agradecemos todo o vosso apoio sem o qual não teria sido possível organizar o nosso acampamento. Sem a vossa ajuda não teria sido possível ter esta experiência que nos levou mais perto do lema do nosso acampamento: ‘Com Deus, construímos a comunidade’”, acrescentou ainda o padre Antoine Mukhallala.

A fundação pontifícia AIS procura que “a Igreja em geral esteja informada sobre a Igreja perseguida” e foi fundada pelo padre Werenfried van Straaten, inspirado na mensagem de Fátima, em 1947.

CB

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