Paulo Rocha, Agência Ecclesia

Mesmo sem inquéritos ou sondagens, o mês de agosto é referência para tempo de férias, nomeadamente no ambiente lusitano, para a maioria de quem tem o privilégio de as gozar. A “paragem” do mês de agosto passa por todas as “carreiras”, em muitas classes profissionais, nem que seja pela necessidade de organizar ritmos de trabalho, deixando a cargo dos “serviços mínimos” um período determinado do ano. Claro que os vínculos laborais transformaram-se e os ciclos de produção também. Não ao ponto de apagar esse momento de abrandamento, bem ao jeito do tempo estival.

O tempo de férias repete interpelações acerca da necessidade e do sentido do descanso, dos dias para o ócio, aquele que possibilita a emergência de novas ideias e projetos, convoca energias eventualmente adormecidas e motiva recomeços.

De facto, as férias são os fundamentos de um ano de trabalho ou estudo. Não apenas porque permitem “recarregar baterias”, mas sobretudo pela possibilidade de pensar, preparar, programar, rever, reorientar valores, opções, escolhas! E os fundamentos vão ditar a consistência do muito ou pouco que for possível fazer.

Depois, férias são encontros, comemorações, festas. Na família, nos amigos, nos conterrâneos, entre grupos que se definem por vários tipos de afinidades ou entre os que retomam episódios ocasionais. E só os encontros permanecem na memória, não a digital, mas a que oferece vitalidade a um quotidiano que nem sempre se cumpre de acordo com o previsto.

Férias são também celebrações, liturgias, cultos. Um número significativo de portuguesas e portugueses não imagina o mês de agosto sem o fator religioso, sem as tradições populares e religiosas, numa deriva constante, é certo, mas com uma identidade que permanece e que é necessário distinguir. O que seria se desaparecesse o 13 de agosto e a presença de emigrantes em Fátima no que essa frequência tem de significativo para um ano de trabalho que termina e outro que se projeta? E se o 15 de agosto deixasse de celebrar Nossa Senhora, a do Monte, na Madeira, e a que é evocada nas igrejas catedrais do Algarve, Aveiro, Braga, Évora, Guarda, Lamego, Leiria-Fátima, Lisboa, Portalegre-Castelo Branco e Viseu? E será possível um agosto sem a Senhora da Agonia, em Viana do Castelo, no que gera de presenças, tradições, ritos, cultos? E tantas outras festas se poderiam acrescentar a este elenco, como as do Mar em Peniche ou Cascais, as evocações a Nossa Senhora em Castro Marim ou Borba, Gaia ou Vila Real, Bragança ou Santa Maria, nos Açores.

De facto, o mês de agosto não se reduz a praias ou sombrinhas. Ele deixa muitas marcas ao longo de todo o ano, não tanto por causa dos “amores de verão”, mas pela possibilidade de projetar os outros 11 meses e o que neles se pode fazer pelo bem, o próprio, o da família, da comunidade… o bem comum.

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