«A defesa da vida é uma missão que todos temos que abraçar» – Sandra Anastácio

Foto: Lusa

Lisboa, 13 out 2021 (Ecclesia) – A presidente da ‘Ajuda de Berço’ afirmou hoje que a defesa da vida “não perde atualidade” e assume a luta para que as crianças tenham “uma vida digna”, falando na inauguração da nova casa da associação em Lisboa.

“A defesa da vida é uma missão que todos temos que abraçar, há que dar dignidade às crianças que nascem, ajudar as que eventualmente precisam de ajuda para conseguir nascer e sobretudo dar dignidade na saúde, na doença, numa casa de acolhimento quando a família não consegue fazer”, disse Sandra Anastácio à Agência ECCLESIA.

A ‘Ajuda de Berço’ inaugurou hoje uma nova casa na Rua Jorge Barradas, em Benfica, Lisboa, que vai receber os bebés que estão na casa da Avenida de Ceuta, “que já não tem condições”, e vão abrir uma nova valência.

A presidente da direção e fundadora da associação e solidariedade social explica que o espaço vai acolher “crianças mais crescidas com problemas de saúde” e que estejam em “situação total de abandono”, e que por causa desses mesmos problemas de saúde “não podem ser adotadas, voltar à família biológica”.

Sandra Anastácio recorda que a necessidade desta nova casa “começou há 12 anos”, só agora conseguiram concretizar e esperam “abrir as portas às crianças” rapidamente, depois do “momento de graças e gratidão” que foi a inauguração de bênção.

“É um sonho de muitos anos, levou muitos anos a construir, dependeu da ajuda da Igreja de Lisboa, da comendadora Paula Caetano, há muitas crianças que esperam por esta casa”, acrescentou a responsável.

No seu discurso, Sandra Anastácio afirmou que ali “se vão mudar vidas”, vão “acolher e proteger as crianças”, e destacou que era um “dia de gratidão” porque a nova casa era uma “prova da amizade e de fé”, agradecendo às várias pessoas e instituições que tornaram possível esta edificação.

O cardeal-patriarca de Lisboa, que abençoou a casa, na sua intervenção destacou a importância do cuidado das crianças e a “confiança” que existe na ‘Ajuda de Berço’ e agradeceu como Igreja e cidadão, observando que uma ação sustentada por muitos é possível.

“Da parte da Diocese de Lisboa dedicamos mesmo uma renúncia quaresmal que foi muito participada e que foi apenas um sinal. Esta é a única frente em que a Igreja pode estar porque esta é a própria frente de Deus, que se cria a vida de todos é para ser respeitado e valorizado: Se somos crentes não podemos pensar, nem atuar de outa maneira”, desenvolveu D. Manuel Clemente, em declarações à Agência ECCLESIA.

Foto: Lusa

O responsável católico salientou que este era um momento de “muita alegria” por várias razões, e a primeira foi a concretização da casa, que “foi fruto de muito trabalho, de muita determinação, da Dra. Sandra Anastácio e da sua equipa que “nunca desistiram desta obra” e conseguiram os apoios necessários para que “fosse hoje inaugurada”.

“Depois pela resposta que dá, a crianças que nascem com graves deficiências e não têm apoio da família, ou de outro género, e que aqui encontram apoio para que vivam, sejam felizes, não só nesta casa mas naquilo que já acontece há mais de 20 anos, com a instituição da Ajuda de Berço”, acrescentou.

Neste contexto, o cardeal-patriarca de Lisboa salientou também que “é possível dar-se uma reposta completamente humana a crianças que nascem em circunstâncias muito difíceis”, e que as faça felizes.

“Estas coisas são importantes que aconteçam, desejamos que aconteçam, é possível ser assim mas haver factos que comprovem é de uma importância extraordinária; A prova que é possível é que está cá: Não é um caso único mas é um caso muito bonito e implica o envolvimento de toda a gente que acredita na vida e que a leva por diante”, desenvolveu D. Manuel Clemente.

A inauguração contou com a presença do presidente da República Portuguesa, que começou por recordar que “esta aventura” começou em 1998, depois de um momento de “reflexão e decisão” na sociedade portuguesa que teve por centro o debate “acerca da vida e da maternidade” – o referendo do aborto – e um grupo de cidadãos arrancaram com esta e mais algumas iniciativas, como uma “espécie de testemunho de como o caminho continuava”.

“Criar condições para mais maternidade, para mais maternidade com o caminho da felicidade no futuro numa sociedade atravessada por inúmeros problemas que não deixaram de se tornar mais complexos nas últimas décadas”, disse Marcelo Rebelo de Sousa.

O chefe de Estado afirmou que a “causa continua viva, todos os dias há desafios à causa da vida, ou no começo, ou no termo ou ao longo dela”.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, tem existido, ultimamente, uma discussão na sociedade portuguesa sobre “a melhor forma de enquadrar as crianças nas situações de risco, que são a razão de ser da Ajuda de Berço”.

“A última grande discussão é se não é o caminho preferível abandonar a via da institucionalização e apostar no enquadramento familiar, pensando nomeadamente nas famílias de origem, mas em muitos casos, cada vez mais casos, noutras famílias, famílias adotivas ou famílias de acolhimento, e ultimamente tem havido programas públicos orientados mesmo a nível orçamental para essa finalidade”, explicou.

O presidente da República, que tem “refletido muito sobre a matéria”, disse que “nenhuma dessas pistas anula a outra” e afirmou que “é muito importante que haja uma aposta em mais famílias de acolhimento com mais meios para esse acolhimento”.

“Não é isso razão para, nomeadamente, a Segurança Social deixar de ver com apreço o testemunho e a obra daquelas instituições baseadas no voluntariado que criaram verdadeiras famílias de acolhimento. E porque não somos um Estado muito rico teremos de conjugar as diversas dimensões, não deixando ninguém para trás, como agora se repete muito, não esquecendo ninguém, aproveitando o contributo de todos”, concluiu.

O artista João Só cantou o hino da campanha da ‘Ajuda de Berço’, que é um tema da sua autoria, no final da sessão de inauguração e bênção que mobilizou a equipa que tornou este projeto possível, fundadores, sócios, doadores, amigos e figuras públicas.

A ‘Ajuda de Berço’, centro de acolhimento temporário, que se constituiu como IPSS no dia 12 de março de 1998, já acolheu mais de 400 crianças, dos 0 aos 3 anos de idade, que são vítimas de situação de risco ou abandono, em regime de permanência.

CB/OC

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