Encontro em Genebra debateu avanço nos estudos da aplicação da inteligência artificial e robótica a armamento de guerra

Genebra, Suíça, 10 abr 2018 (Ecclesia) – O Vaticano manifestou em Genebra as suas preocupações com avanço nos estudos da aplicação da inteligência artificial e robótica a armamento de guerra.

“A ideia de uma guerra travada por sistemas de armas autónomas não-conscientes e não-responsáveis parece esconder uma atração pelo domínio que esconde o desespero e uma perigosa falta de confiança na pessoa humana”, disse D. Ivan Jurkovic, observador permanente da Santa Sé nos organismos das Nações Unidas com sede na cidade suíça, numa intervenção enviada hoje à Agência ECCLESIA.

O responsável defendeu que a defesa dos chamados ‘robôs assassinos’ “ignora o facto de que, para uma máquina, uma pessoa humana, como tudo o resto, é apenas um conjunto de dados”.

Num encontro de peritos governamentais sobre Sistemas de Armas Letais Autónomos, esta terça-feira, D. Ivan Jurkovic considerou que este sistema “pode desviar-se das áreas de evolução ou dos objetivos prescritos pela autoridade política ou militar responsável”

Um avanço neste campo, acrescentou, poderia traduzir-se no comportamento de “atacar civis para maximizar o interesse militar, em oposição direta ao princípio de distinção”.

“Além disso, tal perda ou diluição de responsabilidade induz uma falta total de responsabilidade por violações tanto do direito internacional humanitário quanto do direito internacional dos direitos humanos e pode incitar progressivamente à guerra”, prosseguiu.

O observador permanente da Santa Sé entende que a delegação de poderes nos sistemas autónomos abre o “caminho da negação, do esquecimento e do desprezo pelas características essenciais únicas das pessoas humanas e das virtudes dos soldados”.

“A segurança internacional e a paz são alcançadas através da promoção de uma cultura de diálogo e cooperação, não através de uma corrida armamentista”, concluiu.

OC

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