Pedro Vaz Patto comenta conflitos que ameaçam a paz mundial e ação do pontífice perante escalada de violência

Lisboa, 09 abr 2026 (Ecclesia) – O presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz destacou o papel do Papa Leão XIV face à situação internacional marcada por guerras, valorizando os apelos e as mensagens deixadas contra os conflitos em curso.
“Eu acho que é importante sublinhar esta voz do Papa como uma autoridade que contraria aquilo que é uma corrente cada vez mais dominante, no sentido de nos resignarmos à guerra, de banalizar a guerra”, afirmou Pedro Vaz Patto, em entrevista ao Programa ECCLESIA, transmitido hoje na RTP2.
O responsável observa que atualmente há quem queira convencer que a “ordem internacional baseada em regras, na moral e no direito está ultrapassada” e que se voltou à “lógica dos impérios, da lei do mais forte”.
“É contra isso que temos de reagir. É contra isso que tem reagido o Papa, de uma forma muito clara, com o seu estilo discreto, prudente, mas muito claro, eu lhe recordo aquilo que ele disse na homilia do Domingo de Ramos, no sentido de dizer que não se pode invocar Deus para justificar a guerra”, lembrou.
Pedro Vaz Patto defende que o que está a acontecer agora no plano internacional deveria ser um exemplo de como não se deveria proceder em situações semelhantes.
Cada vez mais a guerra tem consequências devastadoras do ponto de vista da perda de vidas humanas, mas não só, também do ponto de vista político e económico. Esta guerra também nos deve servir de lição, no sentido de dizer que não é o melhor meio de derrubar ditaduras, pelo contrário, muitas vezes até serve para as reforçar”, recordou.
Sobre o ataque dos Estados Unidos da América à Venezuela, o presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz lembra que “à luz do da moral e do direito não é legítimo”, enfatizando que o “combate pela democracia deve vir de dentro e não de fora”.
“Não é algo que se possa impor do exterior”, reforça.
Relativamente aos recentes acontecimentos com o Irão e a ameaça do presidente dos EUA a uma civilização inteira, o responsável salienta que não é desta forma que se obtém o apoio daqueles que querem uma mudança de regime.
“É evidente que estas forças não vão aplaudir uma potência que destrói o seu país, nem vão ter mais apoio por causa disso. Pelo contrário, aliás, já se têm, analistas que têm dito que hoje o governo no Irão tem mais apoio do que teria antes da guerra”, indica.
Eleito a 8 de maio de 2025, Leão XIV é o primeiro pontífice norte-americano e, defende Pedro Vaz Patto, contrasta com o presidente dos EUA, outra voz da América.
“Os apelos do Papa Leão XIV estão mais conformes com a cultura dos Estados Unidos do que o atual presidente”, disse.
No que toca ao papel de Israel no conflito entre EUA e Irão, o entrevistado verifica que, apesar de o Estado deste país se sentir ameaçado, a melhor forma de reagir não é aquela que se tem assistido.
“Combater o terrorismo é legítimo, mas não combater o terrorismo sem olhar a meios. É isso que estamos a assistir agora no Líbano, que assistimos em Gaza. A ideia de que os civis podem ser afetados como danos colaterais não é aceitável”, declara.
Na manhã de Páscoa, o Papa Leão XIV convocou uma vigília de oração pela paz, que se realizará este sábado, na Basílica de São Pedro, no Vaticano, pelas 18h (menos uma em Lisboa).
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