Programa ECCLESIA com emissão especial para assinalar Dia Nacional da LGP

 Lisboa, 15 nov 2021 (Ecclesia) – Cláudia Dias, professora de Língua Gestual Portuguesa (LGP), destacou à Agência ECCLESIA a importância da aprendizagem desta língua por cada vez mais pessoas, para promover uma “maior acessibilidade” de todos.

“Pertencemos ao mesmo mundo, interagimos, é importante que as pessoas ouvintes tenham em conta as nossas questões de acessibilidade, porque muitas vezes o que faz falta é a acessibilidade à informação, que cada vez mais pessoas possam aprender a Língua Gestual Portuguesa para que isso aconteça”, disse Cláudia Dias, convidada do Programa ECCLESIA desta segunda-feira, na RTP2.

A emissão assinalou o Dia Nacional da LGP, celebrado anualmente a 15 de novembro.

Sofia Figueiredo, intérprete, considera “muito importante” celebrar esta data, para a “valorização da língua”, permitindo-lhe que seja visível no dia-a-dia.

A entrevista deixa votos de que as crianças, surdas e ouvintes, possam “aprender e possam adquirir” a LGP.

Para Cláudia Dias, que é surda, os ouvintes “também devem aprender Língua Gestual Portuguesa”, sustentando mesmo que “deveria ser uma disciplina obrigatória”, e salienta que é “muito importante que as crianças” tenham esta possibilidade desde que nascem.

A emissão desta segunda-feira contou ainda com a presença de Sérgio Peixoto, diretor artístico do projeto ‘Mãos que Cantam’, iniciado em 2010, criou um coro com pessoas surdas, alunos da Licenciatura e Mestrado em Língua Gestual Portuguesa do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica, que começou por atuar em conjunto com o Coro da Universidade.

O maestro explica que o trabalho desenvolvido nas escolas e com os jovens “é fundamental”, já que, para além da “vertente artística” têm também uma “vertente educacional”, indo a escolas de referência de crianças surdas trabalhar com as crianças.

Sérgio Peixoto lembra que começaram do “zero”, pelo que foi necessário “criar conceitos e gestos que não existiam”, um “dicionário artístico de gestos”.

O diretor artístico do projeto ‘Mãos que Cantam’ assume que é “muito diferente dirigir um coro de ouvintes ou um coro de surdos”.

Cláudia Dias integra este projeto e afirma que a “música não é só para as pessoas ouvintes”, precisando que no canto gestual “há uma componente muito artística, muito estética”.

“Não é só as nossas mãos, é o corpo, é toda a gramática, toda a expressão facial. Temos de ter em conta a sintaxe da nossa língua e fazê-lo de uma forma artística para que as pessoas se sensibilizem, percebam a nossa performance e que entendam, sendo pessoas ouvintes, que podem estar connosco, podem estar incluídas, fazer parte e sentirmos a mesma emoção e compreendermos o que está em causa”, desenvolve.

É importante que as pessoas vejam que é possível fazermos música e que entendam que a música não é só para as pessoas ouvintes, que percebam que é possível estarmos aqui em igualdade e vermos na mesma perspetiva e sentirmos a música da mesma forma”.

O Projeto ‘Mãos que Cantam’ esteve presente nas celebrações do centenário das aparições em Fátima, em 2017, e também vai participar na edição internacional da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) em Lisboa, de 1 a 6 de agosto de 2023.

Sérgio Peixoto adianta que vão integrar jovens surdos que queiram cantar com eles na JMJ 2023, que vai assim contar, pela primeira vez na história destas Jornadas, com “um coro de ouvintes e um coro de surdos”.

Para além do Dia Nacional da Língua Gestual Portuguesa, existe um dia dedicado ao intérprete de LGP, que se comemora a 22 de janeiro, data em que foi fundada a sua primeira associação, em Lisboa, no ano de 1991.

Sofia Figueiredo, conhecida dos portugueses pela participação nas conferências da DGS e do Governo durante a pandemia, salienta que a LGP promove a “acessibilidade das pessoas surdas” e que é importante “uma inclusão” em dois sentidos, das pessoas surdas e das pessoas ouvintes.

HM/CB/OC

JMJ 2023: Organização lança versão do hino em Língua Gestual Portuguesa (c/vídeo)

 

 

 

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