Fundação Ajuda à Igreja que Sofre alerta para «calvário», na apresentação da mensagem do Papa para a Quaresma

Lisboa, 23 fev 2021 (Ecclesia) – Uma criança cristã, de 11 anos, desenhou os momentos de “violência extrema” que a sua família sofreu quando os jihadistas ocupavam Alepo, na Síria, um exercício escolar que foi partilhado pela Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

“Esta é uma família sob perseguição severa por causa da fé: Os terroristas queriam levar todos os homens e rapazes, esperava-se que as mulheres renunciassem à sua fé e se tornassem muçulmanas”, explicou a representante da Fundação AIS junto da União Europeia, na conferência de apresentação da mensagem do Papa para a Quaresma.

Na informação enviada hoje à Agência ECCLESIA, pelo secretariado português da AIS, Marcela Szymanski assinala que as pessoas perseguidas “só sobreviveram porque o exército chegou a tempo e os terroristas fugiram”.

A responsável alertou que este “retrato de família” foi desenhado apenas a “2200 km de Roma, a mesma distância de carro para o sul de Espanha”.

Marcela Szymanski indicou que no desenho está a criança cristã, de 11 anos, a sua mãe, “a irmã e o irmão, já mortos no chão, e com sinais de tortura”, com três terroristas Al-Nusra, vestidos de preto, e “instrumentos de tortura, incluindo equipamento para choques elétricos, armas, granadas, facas”.

“Esta família foi generosa em partilhar connosco a sua experiência, porque acreditam firmemente que Deus estava com eles lá, ou teriam morrido”, observou a representante da AIS junto da União Europeia.

O desenho, pintado a lápis de cor, foi um pedido da professora para a menina cristã mostrar como tinha sobrevivido ao período em que jihadistas controlavam grande parte da cidade de Alepo, em 2016.

A fundação pontifícia alerta que “num simples retrato” fica exposta a “crueldade” que passaram tantos cristãos na Síria, um exemplo concreto da perseguição aos cristãos que a instituição reúne e sistematiza no seu Relatório sobre Liberdade Religiosa no Mundo e que vai ser divulgado, excecionalmente, dia 20 de abril, por causa da pandemia do coronavírus.

“Os perseguidos são a elite da Igreja e servi-los não é um dever mas uma honra”, acrescentou Marcela Szymanski, que é também editora chefe do Relatório sobre a Liberdade Religiosa no Mundo da AIS.

Sobre a atual situação na Síria, no início deste mês de fevereiro, a irmã Maria Lúcia Ferreira (irmã Myri), religiosa portuguesa, disse que a “situação está cada vez pior” e “há quem passe fome”, por causa do agravamento da crise económica que afeta toda a sociedade.

CB/OC

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