Sínodo: Seleção de bispos deve ser «momento de autêntico discernimento da comunidade», pede novo relatório

Grupo de trabalho defende que perfil episcopal exige, no atual contexto, «competências sinodais»

Foto: Ricardo Perna

Cidade do Vaticano, 05 mai 2026 (Ecclesia) – A Secretaria-Geral do Sínodo publicou hoje a primeira parte do relatório sobre os critérios de seleção de candidatos ao episcopado, exigindo que o processo seja um “momento de autêntico discernimento eclesial” e promova a escuta ativa da comunidade.

O documento, da autoria do Grupo de Estudo n.º 7, propõe o alargamento da consulta aos leigos e consagrados e defende que o perfil do bispo exige, no atual contexto, “competências sinodais”.

O cardeal Mario Grech, secretário-geral do Sínodo, assinalou a importância destas conclusões na governação da Igreja.

“A escolha de um bispo é um momento de autêntico discernimento da comunidade cristã: não existe pastor sem rebanho, nem rebanho sem pastor. O segundo nos oferece instrumentos concretos para enfrentar as questões mais difíceis sem fugir da complexidade: ouvir as pessoas envolvidas, ler a realidade, reunir os conhecimentos. É o método sinodal aplicado às situações mais exigentes”, refere, em nota enviada aos jornalistas.

O novo relatório alerta que a escolha de um bispo deve envolver a Igreja local, os bispos da região e o núncio apostólico, que, segundo o documento, também “deve ele próprio possuir um perfil sinodal e missionário”.

O texto do Grupo 7 estabelece que, perto do momento da sucessão episcopal, as dioceses devem ativar procedimentos internos de consulta.

O bispo cessante tem o dever de convocar “o Conselho Presbiteral e o Conselho Pastoral Diocesano”, pedindo aos seus membros que transmitam, “em envelope fechado, os nomes dos presbíteros que consideram aptos para o episcopado”.

A inovação proposta passa por alargar esta auscultação, “sempre que possível”, a outros órgãos locais.

Entre as qualidades que um futuro bispo deve demonstrar, o grupo de trabalho sublinha a “capacidade de construir comunhão, exercício do diálogo, conhecimento profundo das culturas locais e disponibilidade para se integrar nelas de forma construtiva”.

O relatório aborda a responsabilidade dos dicastérios do Vaticano, exigindo que a Cúria Romana reveja “os seus próprios procedimentos no sentido de torná-los mais sinodais”.

O documento propõe ainda “formas periódicas de avaliação independente dos processos de seleção”, para garantir a transparência das nomeações episcopais.

Os grupos de estudo foram instituídos por mandato do Papa Francisco, no início de 2024, no período que mediou as duas sessões da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, sobre o tema da sinodalidade.

A decisão confiou a peritos de todos os continentes uma série de questões com implicações teológicas, pastorais e jurídicas complexas, para um maior aprofundamento.

Leão XIV determinou que estes relatórios finais sejam tornados públicos de forma progressiva, numa iniciativa que se iniciou a 3 de março.

OC

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