Reunião com Leão XIV encerrou três dias de trabalhos em Roma

Cidade do Vaticano, 26 jun 2026 (Ecclesia) – Os responsáveis dos organismos continentais da Igreja concluíram esta quinta-feira três dias de trabalho em Roma (Itália) com um encontro com o Papa, que foi sentido como um estímulo para concretizar a conversão sinodal.
“O encontro com o Santo Padre foi para os participantes um forte sinal de apoio e de encorajamento para prosseguir o seu labor em favor da conversão sinodal da Igreja”, afirmou o cardeal Mario Grech, Secretário-Geral do Sínodo, num comunicado enviado à Agência ECCLESIA.
A reunião privada com o Papa incluiu representantes da América Latina, África, Ásia, Europa, Oceânia, Médio Oriente e América do Norte, acompanhados pelos coordenadores das equipas sinodais continentais.
Os responsáveis dos organismos dos diversos continentes deslocaram-se a Roma para trabalhar em conjunto sobre a fase de implementação do Sínodo, à luz da recente publicação “Rumo às Assembleias 2027–2028. Etapas, critérios e instrumentos para a preparação”, entre terça e quinta-feira.
Depois de um momento de oração, animado pela irmã Nathalie Becquart, subsecretária do Sínodo dos Bispos, o cardeal Mario Grech abriu os trabalhos, com um balanço do caminho percorrido até ao momento, recordando o carácter único do processo atual.
O comunicado assinala que “são numerosas, de facto, as iniciativas levadas a cabo pelas Igrejas locais – entre elas as escolas de sinodalidade criadas para apoiar a formação, os simpósios, congressos e processos de escuta e discernimento – para envolver os fiéis”.
A Secretaria-Geral do Sínodo destaca que a fase de implementação, que coloca no centro o documento final da XVI Assembleia Geral Ordinária, “não é uma cópia do processo pré-assembleia”: “é um processo novo, nunca antes experienciado, no qual as comunidades locais são chamadas a traduzir, a partir do seu próprio contexto, as recomendações do documento sinodal”.

O encontro incluiu uma parte dedicada à escuta dos principais avanços da implementação do documento nos diversos continentes, com “experiências significativas, dificuldades surgidas, questões em aberto e prioridades pastorais”.
“Daqui emerge uma Igreja criativa e em movimento, que sente sobretudo a necessidade de formação, de um avanço da espiritualidade sinodal e de um maior empenho na inculturação do estilo sinodal”, assinalou a Secretaria-Geral do Sínodo.
O comunicado dá conta que “apesar da diversidade de contextos sociais, culturais e eclesiais, as Igrejas locais trabalham antes de mais para transformar a sinodalidade de um acontecimento pontual numa dimensão permanente da vida da Igreja”.
“As dificuldades económicas, estruturais e de pessoal, e por vezes a geografia do território, a instabilidade política ou a pobreza, tornam mais árduo o caminho, sem contudo o deter”, pode ler-se.
O padre Giacomo Costa, consultor da Secretaria-Geral do Sínodo, apresentou uma reflexão sobre o documento que traça o caminho para a Assembleia eclesial de outubro de 2028 em quatro etapas progressivas.
As duas primeiras são: Fazer memória – primeiro semestre de 2027, com as assembleias de avaliação nas dioceses e eparquias, chamadas a reler a experiência de implementação do documento final e Interpretar – segundo semestre de 2027, com as assembleias das Conferências Episcopais, nacionais ou regionais.
As duas últimas centram-se em: Orientar – primeiro quadrimestre de 2028, com as Assembleias continentais, das quais será elaborado um relatório de perspetiva e Celebrar — com a Assembleia eclesial de toda a Igreja, reunida no Vaticano com o Papa.
A Irmã Nathalie Becquart moderou, em seguida, a sessão de trabalho dedicada ao papel dos órgãos continentais e das suas equipas sinodais no apoio às assembleias diocesanas, eparquiais e nacionais, que foi complementada por uma apresentação de Thierry Bonaventura, responsável pela comunicação do Secretariado-Geral do Sínodo, sobre o papel da comunicação ao longo de todo o processo.
“Os participantes sublinharam que a sua tarefa é, acima de tudo, de acompanhamento e não de supervisão: promover formas de intercâmbio de dons entre as Igrejas locais, em espírito de subsidiariedade”, refere o comunicado.
Além disso, “reiteraram igualmente que as assembleias — desde as das Igrejas locais até à Assembleia eclesial de 2028 – não constituem um ponto final no caminho da conversão sinodal empreendido pela Igreja, mas um tempo de celebração e de discernimento para compreender como prosseguir”.
Antes da reunião com o Papa, que decorreu na Secretaria-Geral do Sínodo, os participantes dedicaram o terceiro dia de trabalhos às Assembleias continentais e à sua relação com a Assembleia eclesial de 2028.
“Os órgãos eclesiais continentais e as suas equipas sinodais já se estão a preparar não só para as próprias assembleias, mas também para todo o processo que as antecede, incluindo a formação e o acompanhamento daqueles que participarão como delegados”, informou o comunicado.
“Estão atualmente a ser explorados vários modelos de assembleia, todos com o objetivo de permitir a mais ampla participação possível dos fiéis”, complementou.
LJ/OC
