Padre Sérgio Leal espera que assembleia sobre a Amazónia promova «conversão pastoral, cultural, ecológica e sinodal»

Roma, 29 out 2019 (Ecclesia) – O padre Sérgio Leal, sacerdote português que colaborou no primeiro Sínodo especial para Amazónia, afirmou que o “grande desafio” desta assembleia é o caminho da “escuta da realidade concreta até uma verdadeira conversão integral”.

“Uma verdadeira conversão integral que, como apresenta a estrutura do documento final, se deve traduzir numa conversão pastoral, cultural, ecológica e sinodal”, explicou, num artigo de opinião no jornal ‘Voz Portucalense’, da Diocese do Porto de onde é natural.

O sacerdote português, que estuda Teologia Pastoral em Roma, colaborou como assistente da Secretaria Geral do Sínodo na assembleia especial dedicada à Região Pan-Amazónica, que teve como tema ‘Amazónia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral’, entre 6 e 27 de outubro.

O padre Sérgio Leal destaca algumas das “propostas fundamentais” para que o caminho de conversão integral “se torne fecundo e operativo”, como uma Igreja de rosto missionário, que “procura passar de uma pastoral de visita a uma pastoral de presença e proximidade”; um caminho de inculturação da fé, “chamado a traduzir-se na criação de um rito amazónico que enriqueça e favoreça a tarefa evangelizadora”M; e uma conversão ecológica, com a criação de ministérios para o cuidado da “Casa Comum” e “para o acolhimento daqueles que são despejados”.

Segundo o assistente português da Secretaria Geral do Sínodo 2019, o ambiente ao longo dos trabalhos foi de “uma grande serenidade e tranquilidade”, com uma “enorme capacidade diálogo”, onde cada um aceitou o desafio do Papa Francisco, na abertura da assembleia, “de falar com liberdade e escutar com humildade”.

Reforcei a consciência que a sinodalidade enquanto dimensão constitutiva da Igreja é caminho imprescindível para que o Evangelho de Jesus Cristo possa chegar ao coração de cada homem e de cada mulher”, revelou o padre Sérgio Leal.

A região pan-amazónica tem uma extensão de 7,8 milhões de km2, incluindo áreas do Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa; dos seus cerca de 33 milhões de habitantes, 3 milhões são indígenas pertencentes a 390 grupos ou povos.

Em declarações à Agência ECCLESIA, o arcebispo de Braga afirmou que “é urgente” atender à situação dos pobres e excluídos, sem repetir “crimes” do passado.

“Moldes diferentes” para a evangelização das comunidades indígenas, com “uma proximidade mais evidente”, salientou D. Jorge Ortiga que espera agora uma exortação apostólica pós-sinodal do Papa Francisco, com “muitas orientações concretas para o futuro da Igreja”.

“Deve ser inovadora. Partirá da Amazónia, mas deve trazer muitas outras orientações, em termos de ambiente, em termos de preservação de culturas dos povos indígenas que estão a ser muito desconsideradas”, desenvolveu o arcebispo que é o delegado da Conferência Episcopal Portuguesa na Comissão dos Episcopados Católicos da União Europeia, que debateu recentemente o chamado ‘Green Deal’.

O Sínodo dos Bispos pode ser definido, em termos gerais, como uma assembleia consultiva de representantes dos episcopados católicos, a que se juntam peritos e outros convidados, com a tarefa ajudar o Papa no governo da Igreja.

LFS/CB/OC

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