Cardeal pediu atenção aos mais novos e mais idosos, defendendo que «quem deu toda a sua vida pela comunidade, pela família e pelo país, não pode chegar à velhice e sentir-se abandonado e sozinho»

Setúbal, 02 nov 2026 (Ecclesia) – O bispo de Setúbal, D. Américo Aguiar, presidiu este domingo às Festas de Nossa Senhora da Soledade, na Arrentela, afirmando que “ser santo é viver a vida com toda a plenitude, pensando sempre o que é que Jesus faria” e “diria”.
“E nós, no nosso tempo, nas nossas vidas, de vez em quando sentimos que estamos à beira de alguém que nos inspira essa santidade de vida. A Igreja criou então este dia para celebrarmos todos os santos, ou seja, os que são oficiais e aqueles que são anónimos”, referiu o cardeal, na homilia da Eucaristia.
O responsável católico lembrou a expressão do Papa Francisco sobre os “santos ao pé da porta”, fazendo referência àqueles que, através de gestos simples e de uma vida dedicada aos outros, testemunham os valores cristãos.
D. Américo Aguiar celebrou a Eucaristia no âmbito da visita pastoral que está a fazer às paróquias de Arrentela, Paio Pires e Seixal.

O bispo de Setúbal salientou o papel de Nossa Senhora da Soledade como presença constante nos momentos de sofrimento e de esperança: “Esta força de Maria que está presente sempre. Na alegria, na tristeza, na saúde, na doença”.
Segundo o cardeal, Maria é uma referência de amparo nos diferentes momentos da vida, constituindo “uma âncora” para quem enfrenta dificuldades, preocupações ou momentos de aflição.
À Eucaristia que decorreu durante a manhã, seguiu-se a tradicional procissão pelas ruas da Arrentela na parte da tarde, com a participação da comunidade paroquial e de diversas associações e movimentos da vila.
D. Américo Aguiar lembrou a memória do terramoto de 1755 e a forma como as comunidades da margem sul do Tejo mantiveram, ao longo dos séculos, a devoção a Nossa Senhora, associada à proteção sentida pelas populações naquele acontecimento.
“E aqui estamos nós, tantos séculos depois, para agradecer com a nossa boca e o nosso coração aquilo que os outros viveram, sofreram e agradeceram. Por isso, estas procissões também são o agradecimento prolongado no tempo dos nossos antepassados. Sejamos nós daqui, ou do Porto, ou de Bragança, ou do Algarve, ou das ilhas, ou até com os nossos militares, alguns até de outros países”, expressou.
O bispo agradeceu a todos os que se mobilizaram para a realização da procissão deste ano, desde as coletividades às pessoas que, individualmente, se disponibilizaram para assegurar a organização.
“Não é fácil. Toda a gente quer a procissão, mas em muitos sítios ninguém faz nada para que aconteça”, realçou.
No final da pregação, o bispo pediu atenção para com os mais novos e mais idosos, considerando que são as duas realidades que se encontram mais frágeis na sociedade atual.
“Acho que temos que estar mais atentos, mais disponíveis e mais proativos para que não falte nada nem aos pequeninos e não falte nada àqueles que toda a vida trabalharam e que chegam ao momento da sua vida, seja pela doença, seja por tantas outras circunstâncias, acham que a comunidade e que o país os abandonou. Isso não pode acontecer”, sublinhou.
“Quem deu toda a sua vida pela comunidade, pela família e pelo país, não pode chegar à velhice e sentir-se abandonado e sozinho”, acrescentou o bispo.
O cardeal lembrou os vários casos divulgados de idosos abandonados que são encontrados mortos em casa anos depois.
“Como é que não há um amigo, um familiar, alguém que sinta falta daquela pessoa? Mas isto acontece, e acontece cada vez mais. E nós não podemos permitir, nós comunidade cristã, nós sociedade em geral, não podemos permitir que um homem ou uma mulher que deu toda a sua vida, no fim, acabe abandonado e sozinho para terminar a sua experiência de vida terrena”, reforçou.
LJ/OC


