Bispo de Setúbal lembra que uma «habitação digna é fundamental» para impedir a propagação da pandemia de Covid-19

Setúbal, 31 mai 2020 (Ecclesia) – O bispo de Setúbal afirmou hoje que as imagens que têm passado nos meios de comunicação social do Bairro da Jamaica “são uma vergonha para o país”, disse que é preciso “transformar o bairro” e que é fundamental “uma habitação digna”.

Para D. José Ornelas, pedir às pessoas que tenham comportamentos responsáveis na prevenção da propagação da pandemia covid-19 implica que tenham os meios “minimamente necessários” e tenham “uma habitação que seja comportável para isso”.

“Tantas pessoas a viver em barracas não se pode compreender hoje, no nosso país”, disse o bispo de Setúbal.

Este sábado foram encerrados oito estabelecimentos comerciais no Bairro da Jamaica, no concelho do Seixal, em Setúbal, após ter sido identificado um foco comunitário de infeção do novo coronavírus nos edifícios inacabados de Vale de Chícharos (conhecido como o Bairro da Jamaica).

Em declarações aos jornalista após a Missa na Sé de Setúbal, no primeiro fim de semana de recomeço das celebrações comunitárias após a suspensão a 13 de março por causa da pandemia covid-19, D. José Ornelas disse que se admira pela propagação do vírus ser ainda “tão pouco” em locais de habitação precária.

Foto Agência ECCLESIA/PR

Para o bispo de Setúbal, é necessário dar condições de habitabilidade a todas as pessoas, não permitir que trabalhadores estejam “compactados” em casas e nos seus empregos e dar “dignidade” aos cidadãos imigrantes ou refugiados que são acolhidos em Portugal.

“Não chega acolher, pô-los cá dentro, é preciso dar medidas de dignidade”, afirmou.

O bispo de Setúbal disse que um dos “grandes problemas” da península é a habitação, referiu-se a “programas em desenvolvimento”, aguardando “os seus resultados, com a colaboração de todos”.

“Temos de tirar esta mancha no meio de nós, da nossa sociedade”, afirmou, acrescentando que “uma habitação digna é fundamental”.

Para D. José Ornelas, a pandemia veio mostrar que se a sociedade não for justa “não pode ser ecológica, não pode solidária”.

“A sociedade de hoje não se pode dar ao luxo de ter miséria. Porque a miséria vai-nos cair em cima”, lembrou.

A respeito de bairros onde a habitação é indigna, o bispo de Setúbal alertou para a necessidade de os transformar, disse que “alguns não têm conserto” e espera que surtos de propagação do vírus nesses contextos sociais “seja uma lição” e interpele a “a construir uma sociedade mais solidária, mais justa”.

D. José Ornelas considera a responsabilidade por situações como as que ocorrem no Bairro da Jamaica é de toda a sociedade e disse que o problema não se resolve com a “estatização das coisas”, mas “pondo toda a gente a lutar pelo mesmo”.

A Diocese de Setúbal lançou na última semana a campana “Na partilha não há distância”, coordenada pela Cáritas diocesana, para recolher donativos e bens alimentares para ajudar quem precisa na região, estando identificadas mais de 17 mil pessoas.

PR

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