Coordenadora do Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem-Abrigo da diocese aponta dois novos projetos para este ano

Setúbal, 08 jan 2021 (Ecclesia) – A coordenadora do Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem-Abrigo da Cáritas Diocesana de Setúbal, Clara Vilhena, disse hoje à Agência ECCLESIA que em tempo de pandemia “há pessoas desempregadas que ficaram na rua” e precisam de ajuda. 

“Já começa a aparecer pessoas desempregadas, que não conseguem pagar mais o seu quarto alugado, que ficam na rua e nos pedem ajuda”, afirma.

A organização católica tem acolhido mais sem-abrigo desde o início da pandemia, dando resposta durante todo o ano através do centro de acolhimento com capacidade para 14 pessoas e, com a pandemia do salão da Cúria diocesana. 

As pessoas que chegam “em situação de desemprego e com hábitos de trabalho torna-se mais fácil de integrar” mas a responsável acredita que “vai ficar mais difícil pois havia muita gente na área da restauração e agora é muito mais limitado”.

“A realidade em Setúbal é que andamos na rua e não se vê os sem abrigo, eles escondem-se, ocupam casas devolutas e não são visíveis, o que nos pedem é mais uns cobertores nesta vaga de frio mas não querem sair de lá”, refere.

Nesta vaga de frio dos primeiros dias de janeiro, Clara Vilhena referiu que acolheram “quatro sem abrigo porque estavam mesmo na rua, um dormia num carro e os outros numas arcadas”.

A coordenadora desta área assume que os sem abrigo que ali são acolhidos trazem problemas de “consumos associados seja álcool ou drogas” e necessita de apoio psicológico e na saúde.

Clara Vilhena aponta que este ano novo tem objetivos claros na autonomização de alguns destes sem abrigo que a Cáritas apoia, tendo dois projetos a decorrer.

“Os que recebem algum dinheiro, que permite que paguem um quarto, a Cáritas alugou um apartamento e os quartos foram-lhes alugados, estão cinco pessoas a viver lá, está a correr muito bem, sentem-se seguros, mas continuamos próximos, levamos as refeições, ajudamos na limpeza dos espaços comuns e os técnicos reúnem com eles uma vez por semana; o que mais nos desgasta é algumas queixas da vizinhança que nem sempre tem razão de ser”, destaca.

O outro projeto é a “housing fisrt”, começar pela casa, em que a Cáritas está a investir este ano, para “tentar que se autonomizem, em relação a alojamento e ocupação do tempo, alguns mesmo na integração do mercado de trabalho”.

Com o apoio do serviço de refeições a chegar às 289 refeições diárias a responsável aponta ainda a mais valia dos ateliers que também é um investimento.

“Temos aqui algumas atividades que são os ateliers, musica, fotografia e artes plásticas e os ateliers ocupacionais que é costura, restauro e já tivemos as hortas. São muito necessários para os manter ocupados e ganharem competências”, refere.

SN

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