Coordenador do gabinete de Justiça e Paz da Congregação dos Missionários do Espírito Santo pede solidariedade entre países e alerta para notícias falsas sobre vacinas

Foto: Lusa

Roma, 08 jan 2021 (Ecclesia) – O padre Tony Neves disse hoje à Agência ECCLESIA que diariamente lhe chegam relatos de colegas missionários espiritanos que dão conta de uma situação “dramática” que os países africanos estão a viver por causa da pandemia.

“Temos muitas paróquias e missões, muitos Seminários com jovens onde o contágio é grande. Quando detetam um caso, e só detetam porque alguém começa a ficar muito doente, a pessoa faz o teste e dá positivo. Vão os outros 100 fazer e metade testa positivo também. Isto está a acontecer em toda a África e vem por a nu a dificuldade dos sistemas de saúde”, evidencia o sacerdote coordenador do gabinete de Justiça e Paz da Congregação dos Missionários do Espírito Santo, a residir em Roma.

O responsável denuncia o investimento deficiente que não chega para combater surtos já conhecidos.

“Se já é tão difícil combater os surtos de malária e outros, a chegada de uma doença nova só vem agravar uma situação já muito complexa. Não vamos ter ilusões, a situação vai complicar-se e só se vai resolver quando a vacina funcionar para todos”, acredita.

O padre Tony Neves acredita que a vacina é “fulcral” mas sublinha a necessidade de uma “solidariedade” com os países mais pobres, uma vez que a vacinação apenas nos países mais ricos não combate a pandemia.

A par do trabalho na área da Justiça e Paz da congregação do espiritanos, o missionário assumiu funções no governo central da congregação para atuar como correspondente para as circunscrições do Alto Juruá, Amazónia, Bolívia, Brasil, Brasil Sudoeste, México, Paraguai, Portugal, Porto Rico/República Dominicana e Espanha, bem como a União de Circunscrições da América Latina, mantendo-o em contacto permanente com o evoluir da situação pandémica nessa geografia e da circulação de notícias falsas sobre a mesma.

“Não há um dia em que não me enviem um email a dizer que a vacina está feita para os europeus e americanos mandarem no mundo e matar os africanos. Há muitas notícias falsas que circulam e que levam ao medo. Aparecem vídeos a dizer que determinada vacina é falsa, que querem fazer de nós ratos de experiências de laboratório”, conta.

O responsável fala na importância de informar e formar as pessoas, evidenciando que a classe médica “confia na vacinação”.

“Sabemos que há uma máquina económica enorme por trás de tudo. Era importante que a solidariedade funcionasse e os países mais ricos partilhassem com os mais pobres”, afirma.

O padre Tony Neves lembra os apelos do Papa – “vacinação para todos” – e pede condições para essa concretização que poderá passar pela presidência portuguesa da União Europeia.

“Portugal sempre foi um país de ponte. Como plataforma europeia somos muitos pequeninos mas a nossa relação com a Ásia, América e África é enorme, antiga e profunda. E os portugueses são sensíveis à dimensão planetária. A presença portuguesa vai ajudar outros europeus, menos abertos aos resto do mundo, a abrir o coração e as mãos e a fazer com que seja possível que a vacina chegue a todos. Sobretudo aos países mais pobres”, indica.

LS

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