«Não esperava um êxito tão grande», admite administrador diocesano, incentivando os jovens ao «protagonismo da mudança para o futuro»

Foto: Agência ECCLESIA/CB

Almada, 01 dez 2022 (Ecclesia) – A Diocese de Setúbal despede-se hoje dos dois símbolos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), em festa e oração, num encontro diocesano, às 21h00, no Clube de Pessoal da Siderurgia Nacional, na Aldeia de Paio Pires (Seixal).

“Pessoalmente, não esperava um êxito tão grande, pensei que a deslocação dos símbolos que têm a sua dificuldade do ponto de vista técnico, mas os jovens sempre prontos para fazer o que era necessário e foi bem-feito, bem organizado”, disse o administrador diocesano de Setúbal, padre José Lobato, em declarações à Agência ECCLESIA.

Os dois símbolos da Jornada Mundial da Juventude – a cruz e o ícone de Nossa Senhora Salus Populi Romani – chegaram à Diocese de Setúbal no dia 31 de outubro, e terminam hoje a peregrinação pelas sete vigararias (conjunto de paróquias).

“Conseguiram atrair muita gente não sendo propriamente jovem, mas despertaram a curiosidade das pessoas, dos jovens há mais tempo, e tiveram o apoio da maior parte dos padres, um ou outro não correspondeu às expectativas, mas a maior parte, de algum modo, se deixaram também converter pelo entusiasmo que os jovens puseram nesses símbolos”, explicou o padre José Lobato.

Segundo o sacerdote, “rapidamente” perceberam que “aqueles símbolos eram mais do que dois objetos bonitos” com a consciência que a cruz e o ícone mariano já tinham passado por muitos países, “já tinham dado várias voltas ao mundo”, e as pessoas que rezaram junto deles, “com os seus problemas, os seus sonhos, com as suas dificuldades, alegrias e tristezas”.

“Os símbolos vão acumulando toda essa realidade humana e num momento extraordinariamente difícil e doloroso, estamos numa guerra, não sabemos ainda a consequência, já vamos tendo algumas em relação aos problemas económicos, da pobreza, da falta de recursos”, desenvolveu o administrador diocesano de Setúbal.

O padre José Lobato lembrou o constante apelo do Papa Francisco aos jovens para irem “assumindo o protagonismo da mudança para o futuro”, questionando quem é que vai mudar este “mundo do comércio, das trocas, em que uns têm muito, e são poucos, e depois há uma multidão que não tem o necessário para viver”.

“Continuamos a confiar nos nossos governantes, nas pessoas que têm poder, mas eles um dia, e não faltará, que sejam substituídos por aqueles que hoje são jovens; é importante que eles percebam que o futuro da humanidade, o desígnio de Deus, o nosso futuro, está a começar a estar nas mãos deles. Os jovens protagonistas da transformação do mundo”, desenvolveu.

O Departamento da Juventude da Diocese de Setúbal informa que a 13ª etapa da peregrinação nacional dos símbolos da JMJ termina hoje, 1 de dezembro, “com festa e oração, testemunhos, um vídeo-resumo”, e um concerto da cantora católica Claudine Pinheiro, a partir das 21h00, no pavilhão desportivo do Clube de Pessoal da Siderurgia Nacional na Aldeia de Paio Pires, Vigararia do Seixal.

A Diocese de Setúbal é uma das três dioceses de acolhimento da Jornada Mundial da Juventude de Lisboa, de 1 a 6 de agosto de 2023, e Ana Lúcia Agostinho explica que o acolhimento tem vindo a ser trabalhado “desde de diferentes esferas, diferentes objetivos”.

“Acolhemos em primeiro lugar este Deus que nos habita e creio que estes símbolos representam isso também, este Deus que nos vem visitar para que com essa mesma alegria possamos estar mais abertos para acolher aqueles que vão chegar de todos os lados do mundo”, desenvolveu a coordenadora do Departamento da Juventude de Setúbal.

O ‘Programa 70×7’ deste domingo vai recordar a peregrinação dos símbolos da JMJ na Diocese de Setúbal, a partir das 07h30, na RTP2.

CB/OC

A peregrinação da cruz peregrina e o ícone de Nossa Senhora Salus Populi Romani  na Diocese de Setúbal percorreu as várias paróquias das suas sete vigararias.

“Foi uma alegria imenso receber os símbolos e foi como um sinal de esperança. A cruz que simboliza a morte de Cristo, ele que nos deu a vida, e a cruz levou-nos um pouco da esperança, e Maria, o ícone, não nos deixa sozinhos. Ficamos muito alegres e ficamos tristes por ter passado pouco tempo ali”, recordou Mauro de Ceita, da Paróquia da Baixa da Banheira, na Vigararia do Barreiro-Moita, que acolheu os dois símbolos a 15 de novembro.

Inês Correia, da Paróquia da Cova da Piedade, na Vigararia de Almada, “avassalador” é a palavra que descreve a experiência de receber os símbolos, poder estar com eles, e a “sensação” de estarem “com os jovens de todo o mundo que já tiveram esta experiência”.

“É sentir a presença de Cristo nestes símbolos e a oportunidade que tivemos de estar com as pessoas de fora foi algo inesquecível: Conseguimos em certos momentos chave quando estivemos na rua, tivemos essa preocupação quando fizemos o programa de não nos fecharmos dentro dos nossos espaços, chamar a atenção de pessoas que se calhar nunca tinham estado na Igreja, e vimos que muitas destas pessoas sentiram-se acolhidos na nossa alegria no nosso espírito”, desenvolveu a jovem do Comité Organizador Vicarial de Almada, recordando também as pessoas da comunidade eclesial “que se foram mantendo desde os primeiros eventos até ao final”.

Ana Quintas, da Diocese de Bragança-Miranda, chegou a Setúbal no mesmo dia da cruz peregrina e o ícone de Nossa Senhora ‘Salus Populi Romani’, mas, ao contrário dos símbolos com quem teve a oportunidade de estar novamente, vai ficar por tempo indeterminado para uma experiência de voluntariado na Casa de Santa Ana, das Salesianas.

“Vive-se de outra forma, são realidades diferentes. Lá vivi a experiência em paróquia, aqui vivo numa dimensão completamente diferente, muito maior, mas, mesmo assim, é sempre aquele carinho especial de estar com os símbolos, com as meninas da casa, e com a casa em si. É muito bonito e estou a gostar muito”, disse à Agência ECCLESIA.

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