Igreja Católica e Município sadino homenagearam primeiro bispo diocesano, com inauguração de estátua, no seu 45.º aniversário de ordenação episcopal

Setúbal, 26 out 2020 (Ecclesia) – O bispo de Setúbal evocou hoje a figura de D. Manuel Martins como exemplo para a Igreja Católica e a sociedade, destacando a sua “atenção e compromisso com os que mais precisavam” e a sensibilidade de “intervenção social”.

“D. Manuel permanecerá sempre como um bispo à imagem de Cristo, dedicado à Igreja, a esta Igreja, e aberto à cidade, às cidades e à sociedade desta Península de Setúbal”, disse D. José Ornelas, na homilia da Missa que assinalou os 45 anos de ordenação episcopal do primeiro bispo da diocese sadina.

A celebração, na Catedral de Setúbal, antecedeu a inauguração de uma estátua de D. Manuel Martins, no Largo da Catedral, iniciativa que uniu a Igreja Católica e o Município local.

O também presidente da Conferência Episcopal Portuguesa recordou um bispo “fiel a Deus e, por isso mesmo, fiel ao seu povo”, atento aos “oprimidos, feridos de miséria, de exclusão, discriminação, de falta de dignidade e esperança”.

D. José Ornelas assinalou que o primeiro bispo de Setúbal, ordenado em 1975, soube estar próximo dos “pobres de pão, de educação, de carinho, de vida”, os que não puderam colaborar “na construção de um mundo mais fraterno”.

A escultura, da autoria da escultora Maria José Brito, observou o responsável católico, é um sinal de gratidão para com “alguém que encarnou e contribuiu para forjar a rica identidade” de Setúbal e do seu povo, em particular na segunda metade da década de 70 do século passado.

D. José Ornelas agradeceu à autora de uma peça que visa “perpetuar a memória” do primeiro bispo da diocese sadina.

Nasci bispo em Setúbal, agora sou de Setúbal. Aqui anunciarei o Evangelho da libertação, na justiça e no amor. Aqui proclamarei o Cristo vivo – que veio e está no meio de nós – o único que pode alicerçar na fraternidade, a sociedade justa que é a aspiração angustiante de todos nós”.

D. Manuel Martins, 26 de outubro de 1975

A estátua foi colocada diante da Catedral e na Praça da cidade, evocando simbolicamente um “bispo no meio do povo”, explicou o responsável pela Diocese de Setúbal, e representando simbolicamente uma atitude de “acolhimento e de saída”.

D. José Ornelas falou numa referência, “não apenas para os cristãos”, que viveu e testemunhou o “Evangelho da libertação”.

“Que esta Península nunca se conforme com a pobreza, a miséria, a exclusão”, por uma região mais digna, apelou.

Na inauguração da estátua, Maria das Dores Meira, presidente da Câmara Municipal de Setúbal, disse aos presentes que esta era uma “homenagem devida” a D. Manuel Martins, por parte de uma cidade que ele “soube ver e ouvir”

A autarca evocou o falecido bispo como um “homem generoso e sempre disponível para ajudar os que mais precisavam” e estavam “mais esquecidos”.

Maria das Dores Meira recordou aqueles que o criticavam como “bispo vermelho”, sublinhando que o primeiro bispo de Setúbal esteve “do lado certo da história”, na luta “contra a desigualdade, contra as misérias”.

OC

D. Manuel da Silva Martins nasceu em Leça do Balio, na Diocese do Porto, a 20 de janeiro de 1927, tendo falecido a 24 de setembro de 2017, aos 90 anos de idade, em casa de familiares, na Maia, onde vivia desde novembro de 2013.

Iniciou o seu ministério episcopal no dia 26 de outubro de 1975, na recém-criada Diocese de Setúbal, e o Papa João Paulo II aceitou o seu pedido de resignação ao cargo de bispo residencial a 23 de abril de 1998.

O bispo emérito de Setúbal foi agraciado com a grã-cruz da Ordem de Cristo, durante as comemorações do 10 de junho de 2007, em Setúbal, e com o galardão dos Direitos Humanos da Assembleia da República, a 10 de dezembro de 2008,  bem como com a Ordem de Timor-Leste, a 20 de Maio de 2015 e, a título póstumo, por decisão de Marcelo Rebelo de Sousa, a Ordem da Liberdade,  a 5 de outubro de 2017. 

D. Manuel da Silva Martins foi ordenado sacerdote em 1951, após a formação nos seminários do Porto, estudou depois Direito Canónico em Roma, na Universidade Gregoriana.

Foi pároco de Cedofeita, no Porto, entre 1960 e 1969, quando foi nomeado vigário-geral da diocese nortenha em 1969, antes ir para Setúbal.

 

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