Setúbal: D. Américo Aguiar desafia diocesanos a serem «sentinelas da paz» e relembra número de mortos nas estradas

Bispo sadino presidiu à Eucaristia do Domingo de Páscoa e destacou que «hoje é um dia de Alegria, de Festa, de sorrisos e abraços!»

Foto: Ricardo Perna/Diocese de Setúbal

Setúbal, 05 abr 2026 (Ecclesia) – O bispo de Setúbal desafiou os diocesanos a serem “sentinelas da paz”, na Missa de Domingo de Páscoa a que presidiu esta manhã na Quasiparóquia do Coração de Maria, em Setúbal, e na Igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Pegões.

“Sejamos estas sentinelas da Paz, aqui, nesta terra que habitamos, com os irmãos que vivem ao nosso lado. Sejamos estas sentinelas da Paz, nas nossas casas, nas zangas entre famílias e irmãos, nas estradas por onde andamos, nos hospitais onde nos deslocamos, nas compras, nas ruas, nos mercados”, pediu D. Américo Aguiar, na homilia que proferiu nestas celebrações.

Tal como na Vigília Pascal, o cardeal olhou para a realidade nas estradas portuguesas no período da páscoa, durante a qual já se registaram mais de 10 mortes.

Nas nossas estradas… sejamos condutores de paz… lembro os mais de uma dezena de mortos nas nossas estradas nesta quadra pascal… Sentinelas da Paz que trazem ao quotidiano das suas vidas um sopro da eternidade, um vislumbre do céu”, apelou.

Na homilia, o bispo sadino recordou a quaresma, os quarenta dias de preparação para a Páscoa, nas comunidades, nas famílias, nos escuteiros, nos grupos de jovens, de acólitos, de leitores, na catequese das crianças e dos adultos.

“Nunca me canso de lembrar que assim aconteceu por todo o mundo, desde as grandes capitais até à mais pequenas vilas e aldeias. Desde os lugares onde a fé pode ser vivida de forma pública, até aos locais onde tudo se celebra na penumbra da perseguição. […] Esta é a realidade da nossa Fé, a verdade desta Páscoa”, referiu.

Aludindo ao Evangelho, o cardeal recordou o momento em que, no primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro, ainda escuro, e viu a pedra retirada.

“Conseguem imaginar a surpresa, o espanto diante do que lhes foi dado ver? A pedra devia pesar toneladas, tinham sido precisos vários homens para a rodar sobre a abertura do túmulo onde o corpo sem vida de Jesus tinha sido depositado”, expressou.

D. Américo Aguiar defende que é necessário trazer para dentro do coração “todos os momentos que os Evangelhos” contam, “porque a Palavra de Deus é Verdade e Vida”.

“E hoje somos também convidados a dar um passo mais: “Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto” (cf. Colossenses 3, 1). Não como fuga da realidade, mas como transformação da própria vida, no concreto de cada dia”, mencionou.

Na homilia, D. Américo Aguiar destacou que Jesus Ressuscitado anuncia, “de um modo sempre novo, a Paz”, fazendo referência à mensagem do Papa Leão XIV para o dia em que esta se celebra.

Foto: Ricardo Perna/Diocese de Setúbal

“E assim, é possível à nossa fragilidade, à nossa miséria enquanto humanidade que erra, que mata, que destrói, dizer que a Paz tem o sopro da eternidade”, disse.

No final da intervenção, o bispo de Setúbal assinalou que viveu “esta Páscoa de coração cheio”, porque conheceu o significado de uma “criatividade pastoral atenta e criadora nas paróquias” por onde andou.

O cardeal salientou ainda que vive esta quadra agradecido, por tanto bem que conheceu e por tanta disponibilidade que sentiu.

“E acredito profundamente que este é o caminho para trazermos a Paz para as nossas vidas. E assim como a Paz é o fruto da nossa Fé, também a Alegria a manifesta. Hoje é um dia de Alegria, de Festa, de sorrisos e abraços! Sejamos cristãos felizes!”, desejou.

LJ/OC

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